segunda-feira, 16 de junho de 2008

Leitura de História & História Oral

Qual é o papel das histórias na formação de uma criança? Hoje eu não quero discutir dados científicos, apenas pretendo pincelar algumas reflexões sobre o tema. Para a minha filha de dois anos e nove meses, é maravilhoso ouvir histórias. Eu compartilho esse prazer deixando que ela fique no meu colo e namore com as letras e desenhos incríveis que vão se abrindo diante dela.

Por isso, já virou rotina: assim que chega da escola, ela me puxa, pede para que eu sente no sofá, escolhe um de seus livros e pede para que eu leia, ou melhor, para que ela conte a história e eu repita. Basta que eu leia com entusiasmo para ela decorar os mínimos detalhes: até mesmo aqueles temperos que foram incluídos por mim para dar mais emoção à história. Me sinto co-autora dessas narrativas e aos pouquinhos ela também vai assumindo esse papel.

Esses momentos mágicos me transportam para a minha infância, quando eu e minha família morávamos em São Paulo e a minha mãe trabalhava tanto que não sobrava tempo para muitas fantasias. Mas nas férias, meus pais nos levavam para Caratinga e nesse cantinho mineiro existia uma avó incrível que nos conduzia para um mundo encantado. Todos os primos se amontoavam para ouvi-la contando histórias que ela, por ser analfabeta, contava apenas com a ajuda da memória. Até hoje os personagens das narrativas que ela inventava ou recordava, povoam a minha mente.

Hoje, quando conto histórias para crianças, prefiro lançar mão dos livros. Com a ajuda dos ilustradores e dos autores vou redescobrindo e me deliciando com o universo infantil. Minha filhinha ajuda muito no trabalho de seleção das histórias e cada vez que levo um livro diferente para ela e para os meus meninos da Fazer Arte, sei que corro o risco de ser lembrada por eles pelo resto da vida - como a minha querida vó Lolô fez comigo!

5 comentários:

Luis Santos disse...

Ouso afirmar que não foi somente por ser testemunha destes momentos ternos e mágicos que me emocionei. Creio que qualquer pessoa com doçura, leveza e bondade no coração é capaz de deitar lágrimas com seu relato.

Te amo!

Luis Santos

Érica disse...

Oi Sil, que coisa mais linda esta postagem. Me lembrei dos meus sobrinhos e em especial do meu sobrinho/afilhado. Ele adora ouvir estórias antes de dormir. Fica ali parado só imaginando. Acho que agora ele já está lendo. Perdi este momento mágico do aprendizado dele, mas fazer o que. Mesmo longe tento participar destes momentos. Uma coisa eu posso dizer: Eu o ajudei a usar outro meio de comunicação, a mensagem escrita, que muitas vezes nos esquecemos.
Simplesmente ADOREI!!!

Um beijo grande,
Érica

Rose disse...

Sil, adoro saber que a Luisa ama receber livros de presente e ler as histórias que gostamos de inventar para ela. Isso também me recorda a minha infância, sempre cercada de livros e de histórias na minha cabeça, acredito que até hoje... Desejo cada vez mais compartilhar desse sonho de fazer da Luisa mais uma criança feliz com o mundo de sonhos e esperanças que se pode ter lendo livros e criando histórias.

Rose disse...

Sil, adoro saber que a Luisa ama receber livros de presente e ler as histórias que gostamos de inventar para ela. Isso também me recorda a minha infância, sempre cercada de livros e de histórias na minha cabeça, acredito que até hoje... Desejo cada vez mais compartilhar desse sonho de fazer da Luisa mais uma criança feliz com o mundo de sonhos e esperanças que se pode ter lendo livros e criando histórias.

Gilma disse...

Silvânia, que gostoso ler essa postagem, me fez viajar no mundo da imaginação e nos ver deitados, todos amontoados numa mesma cama, disputando a cabeça no colo aconchegante da Vovó Lolô e me fez até sentir aquela gargalhada gostosa que ela dava, quando a gente assustava com aquela história da linha que costurava acho que um sapato e a linha arrebentava e acertava na gente....lembra-se dessa???? E do "Figo da figueira" e do "Bicho cocho" e de várias outras....Saudade de um tempo bom que não volta mais. Bjim