domingo, 11 de março de 2018

Parem de fazer as crianças berrarem nos programas de auditório!

Desculpa se eu decepciono vocês, mas não gosto de ver programas de calouros infantis. Não tenho estômago para assistir o público aplaudindo ensandecido o candidato agredindo suas pobres cordas vocais ainda em formação. Em geral os programas de calouro costumam seguir essa fórmula e selecionam canções que exploram uma navegação insana pelas oitavas: ao invés de propor uma séria discussão sobre o cuidado com a voz ou pelo menos valorizar o candidato que não abusa dos nossos pobres tímpanos, eles estimulam a prática do canto forçado. Aff! Como sempre as crianças são as maiores vítimas: sejam as candidatas ou as anônimas que imitam esse modo de cantar achando que estão arrasando. Não estão! Quantas delas terão atendimento com fono ou otorrino para tentar reparar os danos? É importantíssimo e urgente incentivar as crianças a cantar. Porque quem canta aprende melhor na escola, melhora a imunidade, ganha auto-confiança, faz mais amigos...  Mas o saudável e belo é o cantar, não o gritar!








sexta-feira, 9 de março de 2018

Quero engravidar mas não consigo! O que fazer?

Sabe aqueles casais que querem ter filhos mas não engravidam nem por reza? Eu sei bem o que é isso, com o agravante de ter no meu pé uma sogra obcecada para ser avó. Antes de vender a casa ou a alma para pagar um bebê de proveta, tente algo bem mais em conta e muito mais prazeroso. E se você conhece algum homem que quer muito ser pai  (se apenas a mulher quiser, por favor, não mostre isso para ela), compartilhe com ele essas dicas preciosas:

Calcule o período fértil e viaje para o lugar preferido da sua mulher.  Sim, dela. Ela é que vai abrir, digamos, um mundo mágico para você que sonha em ser pai. Então prepare-se para sair de casa disposto a ser gentil e generoso. Quanto mais agradá-la durante o dia melhor será a noite de vocês - se bem que dia e noite passam a ser possibilidades iguais para esse abençoado trabalho. Sair da cidade e da rotina e entrar em uma atmosfera agradável vai favorecer um namoro  sem pressa, sem atropelos e com muito mais paixão.

Não é hora de pão durice: separa uma graninha pra torrar ao lado de sua amada. Se não tiver, nem pense em ter filhos: esse brinquedinho é muito caro! Mas se a condição for favorável, tira o escorpião do bolso e propicie uma boa pousada e uma alimentação de qualidade: isso será propulsor dos ânimos e do humor. Se possível, pesquise um cardápio delicioso para antes ou depois do trabalho. Surpreenda! Mas atenção. Não pense apenas em trabalhar para conseguir o que deseja: passeios de mãos dadas podem ser muito estimulantes. Uma boa conversa então, nem se fala!

Antes de sair de casa, pense em detalhes como o estado do carro, os documentos, cartões... para evitar  aquelas situações estressantes nada românticas, sabe? Combinem não brigar e levem a sério esse combinado. De preferência, levem esse combinado para depois que o filhote chegar. Porque se isso acontecer ele passa a ser responsabilidade plena dos dois e não dará para partir esse presente fabuloso ao meio!

quinta-feira, 8 de março de 2018

Entre o Japão e a Nasa: uma briga feia para esse final de semana

Quem já sonhou em conhecer o Japão mas não tem caixa suficiente para ir tão longe pode tentar dar um pulinho no Riosul nesse final de semana para conferir o Rio Matsuri. a programação parece imperdível e a gente já se inscreveu pra conferir e vir contar tudo pra vocês. Dá só uma olhada:

http://www.riomatsuri.com.br/programacao


Mas logo ali bem perto a NASA aterrissou com uma oficina de STEM para os aspirantes de astronautas que quiserem estudar e aplicar os seus conceitos de robótica ou de programação possam deslanchar em uma réplica da superfície do asteroide. Diversos obstáculos e missões devem ser encaradas sob o olhar atento dos instrutores treinados no Kennedy Space Center nos Estados Unidos.

E agora? O que a gente faz? Vai nos dois né?

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Coisas que aprendi em Aracaju: as rendas irlandesas estão ameaçadas de extinção

Quando decidi ir para Aracaju durante as minhas férias de julho, era minha intenção conhecer as pessoas que vivem em pequenas cidades sergipanas e por isso peguei o ônibus até a rodoviária velha e lá aprendi algumas coisas. Não existe plataforma e é muito fácil se perder, mas quem tem boca


e  agilidade encontra seu ônibus. Você pode comprar as passagens dentro dele ou nos guichês. Opte pela primeira opção porque você pode perder o ônibus no intervalo de compra até achar o carro na caótica rodoviária que tem muitos ambulantes, passageiros com muitos pertences e fiscais gritando o nome de inúmeras cidades. Aconteceu comigo: não consegui chegar à Santana do São Francisco - ficará pra próxima. 

Mas tive êxito na empreitada de conhecer Divina Pastora para conhecer as mulheres que fazem as belíssimas rendas irlandesas. Depois de cerca de uma hora de viagem, a impressão que tive é que a renda irlandesa, patrimônio imaterial de Sergipe, está ameaçadas de extinção. Eu esperava encontrar muitas mulheres rendando: só encontrei duas! Pudera: um colar que leva três dias para ser concluído custa apenas 45 reais. E há quem ache caro. Para a maioria das rendeiras, não vale o esforço! Por isso elas migram para outras atividades e abandonam o ofício. Até porque o material é caro e de difícil acesso. Um trabalho delicado que leva tanto tempo para ser realizado deveria contar com o apoio da Universidade Federal e de diversas esferas do governo para que mais pessoas conhecessem e valorizassem essa arte, impedindo que ela se perca. 


quarta-feira, 26 de julho de 2017

Uma das belezas exuberantes de Aracaju é a gentileza: da série coisas que aprendi em Aracaju - parte 1

Depois de longo período de silêncio decidi voltar a deixar minhas memórias aqui. É que estou em Aracaju e tenho aprendido tanto que preciso compartilhar. Milhares de crianças e adolescentes desaparecem para sempre todos os anos. As meninas e os meninos mais vulneráveis estão em regiões esquecidas pelo poder público. Na capital de Sergipe tem uma galera que se organiza pra combater o tráfico humano. Nessa viagem tive a sorte de conhecer as meninas da ONG Agatha que estende a mão para mulheres em vulnerabilidade, inclusive as que estão presas. A maior parte das mulheres vivem abaixo da linha da pobreza e/ou têm históricos de violência.

Situações claras de exploração acontecem todos os dias e a maioria esmagadora não é denunciada. Há gente trabalhando em Sergipe para mudar isso e como parte da Campanha coração azul está em cartaz no Centro Cultural de Aracaju o documentário de Diego Travesso: R$1. Considerando que gente vendendo gente não é coisa boa de se ver, infelizmente o cinema estava vazio. Todos nós poderíamos estar entre as 27 milhões de pessoas traficadas: ignorar esse assunto só aumenta o risco.
Mesmo que você não conheça ninguém nessa situação, pode imaginar como seria viver esse pesadelo. Por isso, que tal ser uma mão gentil para quem precisa? Entra lá no site eusouagatha.com.br e veja como pode ser útil. Pode escrever algo encorajando esse projeto mas não é só de coragem que os guerreiros precisam Ong.projetoagatha@hotmail.com

Não encontrei o documentário de Diego no Youtube, mas esse aqui também é bastante esclarecedor:




segunda-feira, 25 de julho de 2016

Material e Imaterial Didático - uma dinâmica sobre o material oculto na escol

Ao receber um convite para mediar uma reunião de professores, eu e meu colega resolvemos refletir sobre o material didático que nós e outros educadores usamos ou poderíamos usar para potencializar a aprendizagem. Para isso, decidimos usar uma brincadeira de amigo secreto, modalidade ladrão, que virou tradição naquela escola. Para isso selecionamos diversos materiais que poderiam ser úteis aos professores e embrulhamos todos esses objetos  individualmente. Cada professor teria que escolher um objeto e refletir como ele poderia ser usado para tornar as aulas instigastes. Caso ele não quisesse falar sobre o material selecionado, poderia trocar de objeto com o colega, mas cada um poderia ser "roubado" uma única vez. 

Veja alguns exemplos de materiais e o potencial apontado pelos professores presentes como possibilidades para incrementar a pratica pedagógica:


CD- pode conter diferentes ritmos para motivar o envolvimento nas aulas ou fazer dinâmicas que promovem o relaxamento ou o respeito ao outro. 

Fita métrica - poderia ser usada, por exemplo, durante o estudo dos números decimais, para medir a sala, e inúmeros objetos quando o objeto de estudo fosse a soma dos decimais ou os perímetros usando os decimais.

Boneco de um bicho preguiça  - poderia ser útil para falar de Darwin e a evolução dos bichos: lembrar a preguiça gigante do museu nacional.

Luva do sapinho - um professor de ciências poderia usar esse material quando trabalhasse o conceito de atrito ou quando ensinasse sobre os corpos dos anfíbios, quando a lã fosse usada como exemplo de pegador para discutir objetos que são condutores de calor,. Por causa da cor, foi lembrado que o objeto também seria útil para falar sobre daltonismo ótica, a mecânica do salto do sapo...

Revistinha do Chico Bento - poderia ser usada para introduzir um tema de ecologia ou  mesmo durante uma avaliação.É útil para refletir sobre a vida no campo, as invenções que parecem estranhas mas inspiram os cientistas e as narrativas que podem ser contrapostas em textos cientificos. 

Martelo - poderia ser útil, por exemplo, na construção do cenário ou de inúmeros objetos nas aulas de robótica.

Pedaço de rocha - pode ser usado para possibilitar uma cuidadosa análise das características que permitisse a classificação da rocha, na ocorrência territorial, idade da Rocha

Globo terrestre- pode ser usado para simplesmente promover o encantamento dos alunos, como o objeto tinha uma luz, ele poderia ser usado como calmante ou estratégia para o silencio

Tripé - recurso para o registro e novas possibilidades de obter a imagem que se deseja fotografar.

Crânio de jacaré -poderia ser, por exemplo, um dos elementos do livro paradidatico de francês: tesouro de guerra e para trabalhar o passado

Filme- asterix - como os alunos são muito receptivos para os filmes, esse poderia promover envolvimento, ampliar a ideia de monumento e trazer para o cotidiano alguns pontos da narrativa. Os filmes também são úteis para discutir valores ou situações que permita se colocar no lugar do outro e as vezes até uma identificação, inclusive ao se ver no diferente

Regador de plantas - poderia ser usado para fazer simulação de chuva, fenômenos, disciplina interativa

Celular - várias possibilidades: fotografia, música ou fonte de pesquisa - suporte de informações 

Livro didático - útil, por exemplo, em uma oficina de redação para explorar historias coletivas, uma situação problema, ou um determinado registro.


A dinâmica revelou que os materiais podem ser muito mais do que aparentam, depende de algo imaterial: a disposição e a criatividade do educador que trabalha com ele.  A intencionalidade ao escolher um material pode ser ampliada em sala de aula quando os sujeitos da aprendizagem atuam e transformam esse material em algo ainda mais significativo. É importante que a escola acredite e invista na autonomia do professor para que ele amplie sua visão e ouse surpreender com o novo. Esse novo pode estar o tempo todo na escola, mas ser usado de modo criativo. Os materiais didáticos não devem ser usados simplesmente para preencher o tempo, inibir o ócio e muito menos para substituir o professor, como acontece muito com o uso dos filmes nas escolas. Materiais didáticos podem ser encarados como tecnologia social que ampliam as possibilidades da construção coletiva do conhecimento em sala de aula. Um professor estimulado curte seu trabalho e pensa sobre ele, inclusive em algumas ocasiões de seu tempo livre e enxerga nos objetos à sua volta elementos propulsores de uma aprendizagem que pode ser prazerosa para todos.

Se você é professor, convido a você que olhe a sua volta e escolha um material que tenha perspectiva pedagógica, mesmo que você nunca tenha levado ele para a sala de aula. Pense em como você poderia explorá-lo e comente aqui a sua experiência!

domingo, 29 de maio de 2016

Separação de Corpos

Ontem vi um vídeo da Viviane Mosé em que ela dizia em tom de segredo algo que eu nunca tinha parado pra pensar: a palavra em si não significa nada, o que faz sentido é o acordo que se estabelece entre as pessoas que se falam. É isso: você pode dizer a mesma coisa pra uma pessoa que te admira e para uma pessoa que não te suporta e o que você disse pra pessoa que te admira chega como um alento, uma resposta uma luz, enquanto que aquilo que você fala para uma pessoa que não te suporta chega como escracho. O que diferencia essa interpretação é o acordo pré-estabelecido. 




A árdua tarefa de um advogado de família é promover esse acordo: acordo onde não existe mais a predisposição para diálogo. É muito triste pensar que não resta sequer o diálogo entre pessoas que um dia foram tão íntimas. As vezes a ponto de gerar outra vida que carrega o nariz do pai, a boca da mãe...




Eu gosto de pensar no casamento com o imaginário de uma só carne: para mim isso é absolutamente poético e revolucionário. Como pode dois seres tão diferentes se tornarem um só ser? Há casais que fazem isso com tamanha maestria que você não sabe onde começa um e onde termina o outro: não porque um subjuga ou domina o outro mas porque existe uma articulação perfeita entre as partes de um corpo que carrega duas cabeças pensantes capazes de negociar como um coração faz com suas cavidades. Os pares dessas cavidades não batem ao mesmo tempo: uma espera a outra - quando uma atua a outra relaxa e se deixa encher... Nenhuma das partes precisa dizer vai é sua vez: há um acordo ali estabelecendo a hora de trabalhar para esguichar a vida e o momento de relaxar e aproveitar o descanso. 




Do mesmo modo, na rotina do dia a dia, os acordos se estabelecem: eu lavo a louça e você cozinha; hoje vou usar uma roupa íntima especial e o outro entende: serei o melhor amante do mundo! Ou quem sabe um diz não ao filho e o outro não o desautoriza, ainda que não concorde: porque há ali um acordo, uma sincronia, uma perfeita articulação engendrada. Em outra situação você foi demitido, está arrasado, mas ouve: não se esqueça que eu estou aqui para o que der e vier! E assim, esses casais fundidos em uma só carne seguem e envelhecem juntos despertando admiração e outros sentimentos menos nobres.

Mas há situações em que uma das cabeças resolve que não quer mais fazer parte daquele corpo e isso pode ser extremamente traumático pra outra cabeça. Quanto mais intensa era a união, mais dolorida é complexa é a separação. Não é pelo faqueiro, nem pelo cachorro, nem pela fazenda e nem mesmo pelos filhos que os casais separados brigam, mas pela quebra do acordo que os unia. Na tentativa de restabelecer essa capacidade de diálogo, há advogados que conseguem reatar corpos dilacerados. Há os que ao menos conseguem repaginar os vínculos: amigos? Talvez nem tanto, mas há um respeito vindo à tona. Infelizmente há também os representantes da lei que querem incrementar  ainda mais os prejuízos. Para esses, quanto pior, melhor. Nesses casos, os filhos sofrem ainda mais. Ninguém se entende. Não há palavra que soe bem. E quando não há palavra, nem sintonia, nem respeito... O que sobra são restos de corpos que um dia formavam uma família.