sábado, 24 de janeiro de 2009

O nojo como via de sobrevivência

A temática agressão física e psicológica contra a mulher mulher é recorrente no cinema brasileiro e remexe as camadas de opressão que começaram a ser depositadas no nosso país antes dele ser chamado Brasil. No filme Desmundo (Alain Fresnot, 2003), por exemplo, algumas orfãs chegam de Portugal em 1570 para se casar com os primeiros colonizadores. Simone Spoladore interpreta Oribela, uma dessas mulheres que, sob a bênção da igreja, são transformadas em mercadoria nas barganhas pouco nobres estabelecidas no período colonial. Ela é obrigada a se casar com Francisco (Osmar Prado), mas resiste à idéia de uma relação sexual com o homem que aos olhos dela era estranho, no sentido mais amplo da palavra. Ele promete esperar que ela tenha afeto por ele, até um dia, usando a força, a obriga a satisfazê-lo. Como resposta ela foge em busca da liberdade e de um amor verdadeiro. No trecho abaixo, Oribela acaba de sair da prisão, um castigo dado por seu marido após essa frustrata tentativa de fuga.



Essa sequência me faz pensar nas Oribelas contemporâneas que sofrem horrores com seus companheiros e ainda carregam toda a sorte de culpa.

Outro filme que levanta essa questão - e que foi o meu objeto de estudo no mestrado - é "Sonhos Tropicais" (André Sturm, 2002). O enredo, ambientado no Rio de Janeiro do século XIX, explora duas questões complexas: a Revolta da Vacina e o tráfico de mulheres judias - as polacas. Carolina Kasting vive Esther, a jovem judia que chega ao Brasil com a promessa de casamento com um judeu rico e descobre que tudo não passou de uma farsa inventada por um dono de bordel. Uma das cenas mais fortes do filme mostra apenas uma porta e nos faz imaginar Esther sendo violentada pelo seu novo dono. Como no caso anterior, o tráfico de mulheres é um problema que a nossa sociedade ainda não resolveu.

O último exemplo é "Anjos do Sol" (Rudi Lagemann, Brasil, 2006) que apresenta Maria (Fernanda Carvalho) uma menina sertaneja que é vendida pelo pai e enviada para um prostíbulo na floresta amazônica. Após meses sofrendo abusos, consegue fugir para o Rio de Janeiro onde reencontra a prostituição, com outra roupagem, não menos perturbadora. As cenas que mostram os homens fazendo fila para transar com as meninas remetem aos brasileiros que praticam ou estimulam a pedofilia.

Nos três filmes citados, o que faz as heroínas lutarem contra seus algozes é a sensação de nojo. E é esse sentimento que me toma quando mergulho nas histórias projetadas na tela que me trazem lembranças de histórias reais contemporâneas, de pessoas que eu considero fortes, inteligentes e corajosas, mas que não conseguem fugir de suas relações doentias. Nessa imersão vejo intercessões: mulheres vendidas, enganadas, desconsideradas, violentadas... e o que permanece em mim é apenas o nojo. Bom seria se essa sensação contaminasse outras mulheres agredidas por seus parceiros. Um nojo maior ainda deveria tomar as mulheres que sofreram tais agressões na frente de seus filhos. Imagine essa náusea propulsora de coragem se espalhando nas mulheres do mundo todo, logo na primeira agressão! Se essa utopia acontecesse, reduziríamos os casos de violências graves e pouparíamos nossas crianças da dor de assistir suas mães apanhando. Veja esse comercial e pense em ações práticas para dar um basta nessa vergonhosa questão.

3 comentários:

priscila do nascimento carneiro disse...

OLA ,AO PESQUISAR MEU SONHO ENCONTREI ESSE BLOG ,DAÍ VI ESSA MATÉRIA E RESOLVI DESCREVER MINHA EXPERIÊNCIA.

Fazem 5 anos que estou casada,é meu 4 casamento o 2,3e agora o 4º está se repetindo as mesmas situações,do 2º ao engravidar e ter uma gravides de risco e me empedir de ter relação sexual com meu marido fez com que me traísse,quando descobri ele negou até que resolvi mesmo com risco persegui-lo e pega-lo ,me bateu e quase me acertou com uma faca na barriga,no 2º meu marido gostava de jogar bola de final de semana e beber com os amigos chegava m,eio alto e queria comer e sempre reclamava do que tinha pior ganhava $340,oo reais e queria que fizesse milagre,meu quarto é policial e quando o conheci disse a ele tudo que havia me acontecido com outros maridos e o que esperava de um homem ,pedi que não mentisse ,que não omitisse,queria um companheiro e não sexo,um marido que me defendesse ,que me valorizasse não na carne mas na alma e nas qualidades como mulher esposa mãe e companheira,que gostasse da vida de casado ou seja casou vc deixa de ser um para ser 2,ele me perguntou vc largaria seus filhos por homem ?!Disse que não e talvez por isso que meus casamentos também não deram certo,pois ninguém quer filhos dos outros,perguntei por que,mas não respondeu.

Daí descobri que sua mãe havia feito isso com ele e seus dois irmãos,fiquei aliviada pois pensei que queria que eu largasse dos meus filhos.

Priscila disse...

Bem ,já nos primeiros dias como calejada das mentiras e maus tratos dos outros relacionamentos comecei a investiga-lo,na sua bolsa haviam mais de 20 camisinhas e gel lubrificante,ao perguntar ele me disse que quando eles levavam os acidentados e machucados para o hospital eles recebiam camisinha dos médicos,mentira claro,e 20 demais descarado,e o gel,disse que era do parceiro,fui perguntar para o parceiro que negou,começaram as mentiras,depois quando casamos descobri que freqüentou swing com os amigos,eu respeito a opção de vida dos outros ,mas eu não me enquadro e jamais aceitaria esse tipo de relacionamento,e pior ele ia com o parceiro dele para casa dele e faziam sexo entre 2 casais,mais uma vez mentiu,omitiu e pior ao perguntar negou e depois de um tempo perguntei e pressionei ele confirmou,já perdi toda confiança nele,e tudo foi piorando,começou a me bater me ameaçar com a arma,a me humilhar,me maltratar ,desmerecer meus filhos,as mentiras foram aumentando,começaram a surgir ligações de mulheres que ele havia dado telefone em ocorrência.

Resumindo tenho um filho de 19 anos,um de 13 e a menina de 17 anos,todos estão tristes,choram e nervosos não aguentam mais, ontem me pediram para largar dele,ele sujou meu nome,me enfiou em divida de mais de 15 mil reais perdi uma casa por causa dele,meu filho mais velho disse que não queria mais me ver sofrer e disse que pagava aos poucos minha divida,disse a ele que quando eu o conheci eu avisei o que esperava de um homem e se ele fez ao contrária prometi que dessa vez não rir ficar quieta,pois tava cansada de ser tratada que nem animal,disse que eu não achava justo ele ter aceito minhas colocações e depois chegar ao ponto de me ameaçar com arma e me humilhar,se eu o mandasse embora ele arranjaria outra tonta e iria fazer o mesmo então prometi que já que acabou com minhas esperanças meus sonhos de ser feliz em acreditar em alguém sendo honesta e verdadeira preferi fazer da vida dele um inferno também,não me conheço mais tenho vontade de mata-lo,as vezes dou uns tapas e empurrões nele,ontém quase peguei uma faca e quase bati com a panela,depois de tantas ofensas morais que me disse na frente de meus filhos,que estão com ódio dele.

Priscila disse...

STOU COM 40 ANOS DE INJUSTIÇA,DE SOFRIMENTO,FIZ O QUE PUDIA ,ABRI MÃO DE MINHA VIDA PARA CRIAR MEUS FILHOS,DEDICAR MINHA VIDA PARA QUE MEUS EX- CONTINUASSEM SUAS VIDAS LIVRES E FELIZES SEM RESPONSABILIDADES E PREOCUPAÇÕES,ESCOLHI CASAR E TER FILHOS ,SIM CLARO ,MAS NÃO ESCOLHI SOFRER,E NEM FIZ FILHOS SOZINHA PARA SER COBRADA DE TUDO E POR TUDO.SE UM DIA ALGO ME ACONTECER NÃO ME JULGUE POR SER CULPADA EM ESTAR PERMITINDO ,MAS PENSE QUE APENAS CANSEI DA JUSTIÇA DOS HOMENS QUE NÃO FUNCIONA, QUE SO QUEM ESTÁ PASSANDO POR ESSA SITUAÇÃO SABE QUAL É A JUSTIÇA QUE SE ESPERA.


ME DEVE ESTAR PERGUNTANDO SE VALE APENA TUDO ISSO ,NÃO SEI E
QUE DEUS TENHA PIEDADE DOS SERES HUMANOS QUE PERDERAM SEUS VALORES