Fuja! Se essa pessoa não está sendo leal com a mãe ou o pai do(s) filho(s) dela, o que te faz pensar que ela será legal com você? Assumo o risco de escrever o post mais careta que você já leu com todas as letras: não pague pra ver porque um dia a conta chega e ela será alta.
Quando você diz: eu quero viver essa história, não importa o que aconteça, você já sabe o que virá pela frente. Por isso, o melhor a fazer é sair de cena.
Todo casamento tem altos e baixo. Quem nunca teve a vontade de matar o cônjuge ou pelo menos já chegou em casa e olhou pro outro com desgosto. O cheiro, as roupas, a voz costumam mudar ao longo da convivência e essa mudança nem sempre é agradável. Uma mulher que acaba de ter um filho e está cheia de dores, por exemplo, nunca vai conseguir competir com outra que não tem que administrar essas questões e pode se concentrar na aparência. A concorrência é desleal! Mas a pessoa que hoje te encanta escolheu aquela pessoa que hoje ela chama de louca para construir uma história. Sempre haverá alguém mais cheiroso, mais rico ou bonito: isso não acontece só com você, não se iluda!
Casamentos acabam até por um motivo besta, mas carregar a culpa de ter sido o que causou a ruptura deve ser punk. Ainda mais quando você olhar para uma criança e ver sinais de uma profunda tristeza e saber que esse sentimento foi gerado pela ausência do pai ou da mãe que preferiu ficar com você. Dê tempo suficiente para ter certeza de que o casamento realmente acabou e não torça por isso: também te fará mal. Precipitações podem te causar grande sofrimentos que vão se alastrando e contaminando pessoas que você também quer bem. Talvez esse casamento acabe mesmo e você nem esteja na futura lista dos pretendentes: se isso acontecer, siga em frente. Com a consciência tranquila e o coração aberto para conhecer alguém que realmente esteja disponível para viver uma história de amor e não de sofrimentos.
sábado, 1 de junho de 2019
domingo, 24 de março de 2019
O Fabuloso Presente do Amor: um espetáculo para celebrar a vida!
Com teatro, balé e música ao vivo, esse presente surpreende o público infantil com recursos audiovisuais que conduzem à uma fascinante viagem para lugares como Paris, Itália, Havaí e a cidade natal de cada espectador. No roteiro e nas performances estão referências à arte contemporânea, como as esculturas de Patrícia Piccinini e artistas que marcaram a história como Fred Astaire.
As letras das canções e da história tema falam da sensação de receber um presente especial que pode ser um banho refrescante em um dia exaustivo, o abraço de uma pessoa que amamos, a chance e ser um herói ou uma heroína de verdade e a tão esperada chegada do filhote amado. O Fabuloso Presente do Amor foi pensado para ser um grande encontro da criança e sua família com o grupo Cantar e Contar para brincar e exercitar o corpo e a afetividade. No elenco estão Sil d´Paula, Marcio MM Meirelles, Míriam Teixeira e Douglas Santos. Atualmente o elenco ganhou um novo presente: apequena Maria Áurea.
A trupe Cantar e Contar atua desde 2009. Em 2010 recebeu o prêmio FUNARTE de Concertos Didáticos e desde então se apresenta em escolas, teatros, cinemas, eventos e centros culturais. O repertório musical e os jogos dramáticos são cuidadosamente pesquisados, mas nada é engessado: a criança participa o tempo todo e cada encontro é pensado como um espaço privilegiado para estimular a mente e o coração. Temas como a sustentabilidade e a inclusão são apresentados de forma leve e natural. Nesse espetáculo a criança interpreta personagens e conhece uma história onde ela é a protagonista e passa a se ver como um verdadeiro presente que traz luz, cor e generosidade para esse mundo. Os registros desse espetáculo foram feitos por fotógrafos como Sergio Ricardo e Gabriella Massa. A produção foi cuidada por Heder Braga e Gabriela Tirre.
A trilha sonora com a história e nove canções de Sil D´Paula está disponível em diversas plataformas musicais:
Itunes:
http://www.deezer.com/album/ 42830491
Google Play:
Google Play:
Essa proposta está afinada com boa parte dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU, principalmente aqueles que tratam da “educação básica de qualidade para todos”, da “qualidade de vida e respeito ao meio ambiente” e do “todo mundo trabalhando pelo meio ambiente ”.
Leve "O Fabuloso Presente do Amor" para a sua cidade: contato (21) 99265-3105. Vai ser lindo ver as suas crianças: dançando, tentando descobrir o segredo da caixa mágica, se transformando em herói e heroína e procurando o jacaré que insiste em se esconder. Essa interatividade faz com que nenhuma apresentação seja exatamente igual à outra. Chegaremos com violão, voz, dança, bases musicais eletrônicas de DJ, percussão e violoncelo para transformar o público infantil em atores e os adultos em crianças.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
Geração Jacaré
O tempo é cada vez mais um patrimônio para poucos por isso é comum que os pais busquem a comodidade. Talvez isso tenha sido a chave do sucesso dos estilosos sapatos feitos de polietileno: coloridos, leves, confortáveis e que para calçar basta enfiar o pé. A primeira vez que eu vi um "sapato jacaré" achei horroroso mas essa modalidade de calçados era uma febre nos pezinhos das crianças do meu condomínio então tratei logo de providenciar um para a minha primeira filha. Nem sei se o primeiro croquinho
dela era original ou o genérico porque vivíamos uma fase de muito sufoco no orçamento e o preço de um pisante original era alto demais. Mas o que ficou na memória foi a carinha da pequena ao calçar pela primeira vez aquilo: não sei se era pelo pertencimento à turminha ou se era o mero prazer do conforto. Fato é que ela não quereria outra coisa. Isso virou um problema. Se a ocasião fosse uma festa mais formal nem adiantava tentar calçar na pequena um sapatinho de boneca a não ser que quiséssemos ter a companhia de uma criança irritadiça e todos os olhares de reprovação em nós. Há tempos não se usa isso lá em casa: a mais nova nunca teve um, mas a primazia do conforto ficou na mais velha e pelo que observo essa obsessão também ficou naquela que vou passar a chamar aqui de geração jacaré.
A geração jacaré na escola é assim: professora, eu posso tirar foto do quadro?... ahim professor, tenho que copiar isso tudo? Em casa: - Dona empregada, prepara o meu achocolatado! Na excursão da escola: - tia, amarra o meu tênis? (9 anos!!!). No restaurante: garçom, corta a minha carne! (12 anos)....
Ao pensar nessa geração me veio uma grande preocupação. Quantas profissões exigem que a pessoa fique em pé o dia todo? Outras demandam roupas pesadas ou desconfortáveis. Sem falar nas situações de conflito que podem exigir suportar a dor, o frio ou a solidão? Estaria a geração crok mais vulnerável? Para aumentar a chance de sobrevivencia cabe aos pais desenvolverem habilidades de resiliência nos filhos. Dificil tarefa com toda essa falta de tempo: mas quem disse que seria fácil educar?
quinta-feira, 13 de setembro de 2018
Amigos do Mar
Esse ano eu compus uma canção que fala dos amigos que moram no mar: Xarararatimbum. Com uma melodia simplificada e cíclica, as características de diversas espécies são apresentadas usando rimas. Em uma inesquecível viagem para Morro de São Paulo, percebi que essa música poderia ser uma excelente ponte para aproximar as crianças do ambiente marinho e seus incríveis moradores. De volta ao Rio, fui selecionada para participar do Projeto Estúdio Carioca e imediatamente decidi gravar essa canção com as crianças. Para o arranjo e a direção musical eu convidei Marcio MM Meirelles que prontamente topou mergulhar nessa aventura. A equipe da Escola Municipal Estácio de Sá abraçou a ideia e desde então eu passei a entrar na sala do primeiro ano para cantar, contar, tocar, conversar e compor com as crianças. A canção foi apresentada ontem no Encontro de Iniciativas na UNIRIO. No dia 4 de outubro gravaremos um clipe com as crianças no AquaRIO. Para algumas delas será a primeira vez que elas verão de perto alguns amigos que já homenageiam cantando. No dia 9 de outubro faremos a gravação no Centro de Referência da Música Carioca e pretendemos transformar esse material em um CD Livro. No dia 27 de outubro haverá o lançamento do clipe e do CD Livro no Centro Cultural Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro. Todos estão convidados!
Agora estou selecionando ideias para os adereços e a cenografia. O próximo passo é conseguir voluntários que me ajudem a deixar tudo maravilhoso!!!
Para essa seleção, contei com a preciosa ajuda de Maria Clara Pinheiro da Silva!
Agora estou selecionando ideias para os adereços e a cenografia. O próximo passo é conseguir voluntários que me ajudem a deixar tudo maravilhoso!!!
Para essa seleção, contei com a preciosa ajuda de Maria Clara Pinheiro da Silva!
sábado, 8 de setembro de 2018
O youtube impulsiona a aprendizagem
Uma aula de citologia com vídeos como esse pode ser mais instigante. Eu costumo usar esse vídeo sem o som enquanto explico as funções de cada uma das estruturas celulares que aparecem na animação. O youtube dispõe de um acervo riquíssimo que facilita a aprendizagem, mas também tem muitas coisas de baixa qualidade e com conteúdo duvidoso. Se você é professor ou professora, gostaria de compartilhar conosco os vídeos que você usa para impulsionar a aprendizagem dos seus alunos? Se sim, escreva no comentário o link deles e conte como você faz, por gentileza!
terça-feira, 4 de setembro de 2018
Quando nasce uma dissertação
Na qualificação da minha dissertação eu ouvi: esse trabalho será como um filho pra você, não desista dele! Era um momento turbulento: quando passei no mestrado eu estava pisando em ovos em uma gravidez de alto risco. Foram duas gestações: a da minha primeira filha e desse trabalho que como ela me trouxe muitas descobertas e alegria. Não foi uma composição solitária. Contei com a ajuda preciosa de pessoas que também queriam trazer o projeto "O ciência e o cientista através da janela mágica" à tona, ou simplesmente queriam o meu bem e sabiam o quanto a sétima arte e a biologia são minhas paixões. Me senti acolhida e pronta para parir. Ele veio com força e foi solicitado por muitos professores que também usam filmes para que as aulas de biologia e ciências sejam mais instigantes. O link para você conhecer esse trabalho está aqui:
http://www.fiocruz.br/brasiliana/media/dissertacao_silvania_santos.pdf
P.S. Nenhum desses professores que me pediram o trabalho para ler voltou para contar o que achou. Será que você será o primeiro?
http://www.fiocruz.br/brasiliana/media/dissertacao_silvania_santos.pdf
P.S. Nenhum desses professores que me pediram o trabalho para ler voltou para contar o que achou. Será que você será o primeiro?
sábado, 1 de setembro de 2018
Pensão é proteção
Para proteger a infância é comum que a justiça determine uma pensão quando o pai e a mãe se separam. Dinheiro nenhum pode pagar as experiências que deixarão de existir após a separação, mas essa quantia vai prover qualidade de vida para quem mais perde com a ruptura de um relacionamento: os filhos.
Quando o pai ou a mãe não pagam a pensão ou pagam menos do que poderiam/deveriam pagar, é essa qualidade de vida que está sendo comprometida. Não há desculpas para isso. É comum ouvir essas pessoas dizendo que se aborrecem porque o ou a ex cônjuge estaria se apropriando da pensão. Esse tipo de argumento pode estar mascarando uma triste verdade: o amor pelo dinheiro é maior do que pelo compromisso com a proteção dos filhos. Se essa pessoa que está sendo acusada de apropriação indevida não existisse e o acusador tivesse que oferecer aos seus filhos tudo o que eles têm, o valor gasto seria maior ou menor do que a pensão? Há quem afirma que não se importaria de pagar mais desde que ficassem com a criança. Na era da guarda compartilhada esse argumento não faz o menor sentido. Cabe aos dois genitores vivenciar com a criança o maior tempo possível e a pensão não é medida pelo tempo passado junto com o filho, mas pelo binômio possibilidade e necessidade: quem pode mais paga mais em prol das necessidades dos filhos.
Dinheiro é muito pouco perto de tudo o que uma criança precisa e merece. Não basta pagar pensão, mas o compromisso e o empenho para garantir o desenvolvimento pleno dos filhos deve existir sobretudo após a separação.
Infelizmente muitos pais são tratados ou se comportam como se fossem meros pagadores de pensão. A despeito de todas as mágoas que ficaram, quanto mais os dois lados se envolvem na criação dos filhos, mais segurança eles passam para os mesmos. Coisa triste é quando a criança tem a sensação de que o pai ou a mãe se separou dela também! Nada na vida pode ser mais sublime do que ter gerado um outro ser humano, portanto essa pessoinha merece não apenas o seu dinheiro, mas o seu tempo e o seu amor.
Quando o pai ou a mãe não pagam a pensão ou pagam menos do que poderiam/deveriam pagar, é essa qualidade de vida que está sendo comprometida. Não há desculpas para isso. É comum ouvir essas pessoas dizendo que se aborrecem porque o ou a ex cônjuge estaria se apropriando da pensão. Esse tipo de argumento pode estar mascarando uma triste verdade: o amor pelo dinheiro é maior do que pelo compromisso com a proteção dos filhos. Se essa pessoa que está sendo acusada de apropriação indevida não existisse e o acusador tivesse que oferecer aos seus filhos tudo o que eles têm, o valor gasto seria maior ou menor do que a pensão? Há quem afirma que não se importaria de pagar mais desde que ficassem com a criança. Na era da guarda compartilhada esse argumento não faz o menor sentido. Cabe aos dois genitores vivenciar com a criança o maior tempo possível e a pensão não é medida pelo tempo passado junto com o filho, mas pelo binômio possibilidade e necessidade: quem pode mais paga mais em prol das necessidades dos filhos.Dinheiro é muito pouco perto de tudo o que uma criança precisa e merece. Não basta pagar pensão, mas o compromisso e o empenho para garantir o desenvolvimento pleno dos filhos deve existir sobretudo após a separação.
Infelizmente muitos pais são tratados ou se comportam como se fossem meros pagadores de pensão. A despeito de todas as mágoas que ficaram, quanto mais os dois lados se envolvem na criação dos filhos, mais segurança eles passam para os mesmos. Coisa triste é quando a criança tem a sensação de que o pai ou a mãe se separou dela também! Nada na vida pode ser mais sublime do que ter gerado um outro ser humano, portanto essa pessoinha merece não apenas o seu dinheiro, mas o seu tempo e o seu amor.
sexta-feira, 31 de agosto de 2018
Altas Habilidades podem esconder altas dificuldades
Ontem a TV Brasil exibiu essa reportagem sobre crianças com altas habilidades:
ela revela algumas das muitas dificuldades que as crianças com altas habilidades podem enfrentar. Uma delas é a depressão pela sensação de não pertencimento. Talvez você tenha um superdotado por perto e nem saiba. Ele pode ser aquela criança estranha que se isola na sala de aula ou até na festa de aniversário dela: fechada em seu mundo, embora ávida para fazer amizades. É comum que esse comportamento esconda o medo de incomodar ou de rejeição.
No filme, o relato de uma mãe que salvou o filho prestes a se matar porque não tinha amigos me fez lembrar dos casos de suicídios que envolvem escolas, muitas delas consideradas de excelência. Estima-se que cerca de 5% dos alunos são superdotados. Nas escolas em que o ingresso depende de provas esse percentual deve ser muito maior embora não haja estudos a respeito. É que poucas pesquisas na área da educação focam a superdotação. Na sala de aula eles não costumam dar trabalho e quando dão são logo colocados nos "eixos" ou simplesmente expulsos. Uma habilidade alta pode ser útil quando ela é convertida em medalhas ou outra chancela que dê status à instituição. Mesmo assim, pouca gente está disposta a estudar para compreender um universo tão complexo. Quando um assunto não é devidamente estudado, prevalece o estereótipo. Frases como "Eu não vejo nada de superdotado nessa criança. Ela é até limitada..." dão a entender que superdotação é sinônimo de genialidade. Não é! Leia aqui se você quer entender a diferença!
Se a escola é um lugar para superar as limitações os superdotados deveriam ser acolhidos em suas potencialidades e dificuldades. Compreender, por exemplo o senso de justiça que tantas vezes é taxado de chatice, quando esse rigor poderia ser tão útil na sociedade.
Infelizmente não é só a escola que não reconhece e potencializa as crianças com altas habilidades. A criança superdotada pode não ser acolhida nem mesmo na família. Lá, muitos são ágeis para apontar as estranhezas enquanto as potencialidades são constantemente disfarçadas pelo medo de que elas gerem uma imagem prepotente: seja humilde!
Há muito mais superdotados na sociedade do que podemos supor. Se eles fossem identificados e encorajados a descobrirem abertamente suas limitações e seus potenciais, é possível que viveríamos melhor com alguns avanços que eles poderiam promover.
No Rio o Instituto Lecca tem gente muito legal pesquisando e trabalhando o potencial de crianças e jovens com altas habilidades. Sugiro que você conheça essa instituição e investigue outras e que as experiências delas iluminem o seu caminhar caso você queira contribuir para que o mundo seja inclusivo de fato.
ela revela algumas das muitas dificuldades que as crianças com altas habilidades podem enfrentar. Uma delas é a depressão pela sensação de não pertencimento. Talvez você tenha um superdotado por perto e nem saiba. Ele pode ser aquela criança estranha que se isola na sala de aula ou até na festa de aniversário dela: fechada em seu mundo, embora ávida para fazer amizades. É comum que esse comportamento esconda o medo de incomodar ou de rejeição.
No filme, o relato de uma mãe que salvou o filho prestes a se matar porque não tinha amigos me fez lembrar dos casos de suicídios que envolvem escolas, muitas delas consideradas de excelência. Estima-se que cerca de 5% dos alunos são superdotados. Nas escolas em que o ingresso depende de provas esse percentual deve ser muito maior embora não haja estudos a respeito. É que poucas pesquisas na área da educação focam a superdotação. Na sala de aula eles não costumam dar trabalho e quando dão são logo colocados nos "eixos" ou simplesmente expulsos. Uma habilidade alta pode ser útil quando ela é convertida em medalhas ou outra chancela que dê status à instituição. Mesmo assim, pouca gente está disposta a estudar para compreender um universo tão complexo. Quando um assunto não é devidamente estudado, prevalece o estereótipo. Frases como "Eu não vejo nada de superdotado nessa criança. Ela é até limitada..." dão a entender que superdotação é sinônimo de genialidade. Não é! Leia aqui se você quer entender a diferença!
Se a escola é um lugar para superar as limitações os superdotados deveriam ser acolhidos em suas potencialidades e dificuldades. Compreender, por exemplo o senso de justiça que tantas vezes é taxado de chatice, quando esse rigor poderia ser tão útil na sociedade.
Infelizmente não é só a escola que não reconhece e potencializa as crianças com altas habilidades. A criança superdotada pode não ser acolhida nem mesmo na família. Lá, muitos são ágeis para apontar as estranhezas enquanto as potencialidades são constantemente disfarçadas pelo medo de que elas gerem uma imagem prepotente: seja humilde!
Há muito mais superdotados na sociedade do que podemos supor. Se eles fossem identificados e encorajados a descobrirem abertamente suas limitações e seus potenciais, é possível que viveríamos melhor com alguns avanços que eles poderiam promover.
No Rio o Instituto Lecca tem gente muito legal pesquisando e trabalhando o potencial de crianças e jovens com altas habilidades. Sugiro que você conheça essa instituição e investigue outras e que as experiências delas iluminem o seu caminhar caso você queira contribuir para que o mundo seja inclusivo de fato.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
Mudanças na Educação
De vez em quando a gente ouve falar que uma equipe de especialistas está implementando mudanças na educação. Tais mudanças são tão superficiais que nem chegam a arranhar o enferrujado sistema educacional que dispomos. A "mudança" mais comum é a avaliação de desempenho. Funciona assim: o governo não investe na estrutura da escola e muito menos na equipe que atua para promover a aprendizagem porque tais recursos já estão comprometidos com esquemas de corrupção. Para disfarçar, nossos des-políticos contratam acadêmicos de "notável saber" que vão requentar velhas questões e com elas elaborar provas para serem aplicadas nas escolas. Quem define o que a criança deveria saber são esses senhores e essas senhoras que na maioria das vezes não está na sala de aula e não entende de especificidades de cada escola e sua clientela - nem precisa porque as provas são universais. O resultado dessa prova elaborada e aplicada sem o envolvimento dos educadores propriamente ditos irá definir por exemplo, qual é a escola que irá receber mais recursos. Quanto pior o desempenho dos alunos, mais essa escola terá chance de receber os parcos recursos disponíveis. Assim a direção da escola fica entre a fama de escola fraca ou a ameaça de perder ainda mais recursos. Assim caminha a escola pública!
Mudanças de verdade são promovidas com alto investimento. Na estrutura, nos salários, nos programas de capacitação, nas experiências extra-classe, nos materiais que promovem aprendizagem, na valorização dos sujeitos da aprendizagem e na promoção da cultura. Mudar nomes de segmentos ou de provinhas só serve pra confundir, mascarar a realidade e desviar recursos públicos.
https://novaescola.org.br/conteudo/11907/avaliacao-nacional-de-alfabetizacao-e-prova-brasil-sofrem-alteracoes-em-2019
Mudanças de verdade são promovidas com alto investimento. Na estrutura, nos salários, nos programas de capacitação, nas experiências extra-classe, nos materiais que promovem aprendizagem, na valorização dos sujeitos da aprendizagem e na promoção da cultura. Mudar nomes de segmentos ou de provinhas só serve pra confundir, mascarar a realidade e desviar recursos públicos.
https://novaescola.org.br/conteudo/11907/avaliacao-nacional-de-alfabetizacao-e-prova-brasil-sofrem-alteracoes-em-2019
domingo, 11 de março de 2018
Parem de fazer as crianças berrarem nos programas de auditório!
Desculpa se eu decepciono vocês, mas não gosto de ver programas de calouros infantis. Não tenho estômago para assistir o público aplaudindo ensandecido o candidato agredindo suas pobres cordas vocais ainda em formação. Em geral os programas de calouro costumam seguir essa fórmula e selecionam canções que exploram uma navegação insana pelas oitavas: ao invés de propor uma séria discussão sobre o cuidado com a voz ou pelo menos valorizar o candidato que não abusa dos nossos pobres tímpanos, eles estimulam a prática do canto forçado. Aff! Como sempre as crianças são as maiores vítimas: sejam as candidatas ou as anônimas que imitam esse modo de cantar achando que estão arrasando. Não estão! Quantas delas terão atendimento com fono ou otorrino para tentar reparar os danos? É importantíssimo e urgente incentivar as crianças a cantar. Porque quem canta aprende melhor na escola, melhora a imunidade, ganha auto-confiança, faz mais amigos... Mas o saudável e belo é o cantar, não o gritar!
sexta-feira, 9 de março de 2018
Quero engravidar mas não consigo! O que fazer?
Sabe aqueles casais que querem ter filhos mas não engravidam nem por reza? Eu sei bem o que é isso, com o agravante de ter no meu pé uma sogra obcecada para ser avó. Antes de vender a casa ou a alma para pagar um bebê de proveta, tente algo bem mais em conta e muito mais prazeroso. E se você conhece algum homem que quer muito ser pai (se apenas a mulher quiser, por favor, não mostre isso para ela), compartilhe com ele essas dicas preciosas:
Calcule o período fértil e viaje para o lugar preferido da sua mulher. Sim, dela. Ela é que vai abrir, digamos, um mundo mágico para você que sonha em ser pai. Então prepare-se para sair de casa disposto a ser gentil e generoso. Quanto mais agradá-la durante o dia melhor será a noite de vocês - se bem que dia e noite passam a ser possibilidades iguais para esse abençoado trabalho. Sair da cidade e da rotina e entrar em uma atmosfera agradável vai favorecer um namoro sem pressa, sem atropelos e com muito mais paixão.
Não é hora de pão durice: separa uma graninha pra torrar ao lado de sua amada. Se não tiver, nem pense em ter filhos: esse brinquedinho é muito caro! Mas se a condição for favorável, tira o escorpião do bolso e propicie uma boa pousada e uma alimentação de qualidade: isso será propulsor dos ânimos e do humor. Se possível, pesquise um cardápio delicioso para antes ou depois do trabalho. Surpreenda! Mas atenção. Não pense apenas em trabalhar para conseguir o que deseja: passeios de mãos dadas podem ser muito estimulantes. Uma boa conversa então, nem se fala!
Antes de sair de casa, pense em detalhes como o estado do carro, os documentos, cartões... para evitar aquelas situações estressantes nada românticas, sabe? Combinem não brigar e levem a sério esse combinado. De preferência, levem esse combinado para depois que o filhote chegar. Porque se isso acontecer ele passa a ser responsabilidade plena dos dois e não dará para partir esse presente fabuloso ao meio!
Calcule o período fértil e viaje para o lugar preferido da sua mulher. Sim, dela. Ela é que vai abrir, digamos, um mundo mágico para você que sonha em ser pai. Então prepare-se para sair de casa disposto a ser gentil e generoso. Quanto mais agradá-la durante o dia melhor será a noite de vocês - se bem que dia e noite passam a ser possibilidades iguais para esse abençoado trabalho. Sair da cidade e da rotina e entrar em uma atmosfera agradável vai favorecer um namoro sem pressa, sem atropelos e com muito mais paixão.
Não é hora de pão durice: separa uma graninha pra torrar ao lado de sua amada. Se não tiver, nem pense em ter filhos: esse brinquedinho é muito caro! Mas se a condição for favorável, tira o escorpião do bolso e propicie uma boa pousada e uma alimentação de qualidade: isso será propulsor dos ânimos e do humor. Se possível, pesquise um cardápio delicioso para antes ou depois do trabalho. Surpreenda! Mas atenção. Não pense apenas em trabalhar para conseguir o que deseja: passeios de mãos dadas podem ser muito estimulantes. Uma boa conversa então, nem se fala!
Antes de sair de casa, pense em detalhes como o estado do carro, os documentos, cartões... para evitar aquelas situações estressantes nada românticas, sabe? Combinem não brigar e levem a sério esse combinado. De preferência, levem esse combinado para depois que o filhote chegar. Porque se isso acontecer ele passa a ser responsabilidade plena dos dois e não dará para partir esse presente fabuloso ao meio!
quinta-feira, 8 de março de 2018
Entre o Japão e a Nasa: uma briga feia para esse final de semana
Quem já sonhou em conhecer o Japão mas não tem caixa suficiente para ir tão longe pode tentar dar um pulinho no Riosul nesse final de semana para conferir o Rio Matsuri. a programação parece imperdível e a gente já se inscreveu pra conferir e vir contar tudo pra vocês. Dá só uma olhada:http://www.riomatsuri.com.br/programacao
Mas logo ali bem perto a NASA aterrissou com uma oficina de STEM para os aspirantes de astronautas que quiserem estudar e aplicar os seus conceitos de robótica ou de programação possam deslanchar em uma réplica da superfície do asteroide. Diversos obstáculos e missões devem ser encaradas sob o olhar atento dos instrutores treinados no Kennedy Space Center nos Estados Unidos.
E agora? O que a gente faz? Vai nos dois né?
quinta-feira, 3 de agosto de 2017
Coisas que aprendi em Aracaju: as rendas irlandesas estão ameaçadas de extinção
Quando decidi ir para Aracaju durante as minhas férias de julho, era minha intenção conhecer as pessoas que vivem em pequenas cidades sergipanas e por isso peguei o ônibus até a rodoviária velha e lá aprendi algumas coisas. Não existe plataforma e é muito fácil se perder, mas quem tem boca
e agilidade encontra seu ônibus. Você pode comprar as passagens dentro dele ou nos guichês. Opte pela primeira opção porque você pode perder o ônibus no intervalo de compra até achar o carro na caótica rodoviária que tem muitos ambulantes, passageiros com muitos pertences e fiscais gritando o nome de inúmeras cidades. Aconteceu comigo: não consegui chegar à Santana do São Francisco - ficará pra próxima.
Mas tive êxito na empreitada de conhecer Divina Pastora para conhecer as mulheres que fazem as belíssimas rendas irlandesas. Depois de cerca de uma hora de viagem, a impressão que tive é que a renda irlandesa, patrimônio imaterial de Sergipe, está ameaçadas de extinção. Eu esperava encontrar muitas mulheres rendando: só encontrei duas! Pudera: um colar que leva três dias para ser concluído custa apenas 45 reais. E há quem ache caro. Para a maioria das rendeiras, não vale o esforço! Por isso elas migram para outras atividades e abandonam o ofício. Até porque o material é caro e de difícil acesso. Um trabalho delicado que leva tanto tempo para ser realizado deveria contar com o apoio da Universidade Federal e de diversas esferas do governo para que mais pessoas conhecessem e valorizassem essa arte, impedindo que ela se perca.
quarta-feira, 26 de julho de 2017
Uma das belezas exuberantes de Aracaju é a gentileza: da série coisas que aprendi em Aracaju - parte 1
Depois de longo período de silêncio decidi voltar a deixar minhas memórias aqui. É que estou em Aracaju e tenho aprendido tanto que preciso compartilhar.
Milhares de crianças e adolescentes desaparecem para sempre todos os anos. As meninas e os meninos mais vulneráveis estão em regiões esquecidas pelo poder público. Na capital de Sergipe tem uma galera que se organiza pra combater o tráfico humano.
Nessa viagem tive a sorte de conhecer as meninas da ONG Agatha que estende a mão para mulheres em vulnerabilidade, inclusive as que estão presas. A maior parte das mulheres vivem abaixo da linha da pobreza e/ou têm históricos de violência.
Situações claras de exploração acontecem todos os dias e a maioria esmagadora não é denunciada. Há gente trabalhando em Sergipe para mudar isso e como parte da Campanha coração azul está em cartaz no Centro Cultural de Aracaju o documentário de Diego Travesso: R$1. Considerando que gente vendendo gente não é coisa boa de se ver, infelizmente o cinema estava vazio. Todos nós poderíamos estar entre as 27 milhões de pessoas traficadas: ignorar esse assunto só aumenta o risco.
Mesmo que você não conheça ninguém nessa situação, pode imaginar como seria viver esse pesadelo. Por isso, que tal ser uma mão gentil para quem precisa? Entra lá no site eusouagatha.com.br e veja como pode ser útil. Pode escrever algo encorajando esse projeto mas não é só de coragem que os guerreiros precisam Ong.projetoagatha@hotmail.com
Não encontrei o documentário de Diego no Youtube, mas esse aqui também é bastante esclarecedor:
Situações claras de exploração acontecem todos os dias e a maioria esmagadora não é denunciada. Há gente trabalhando em Sergipe para mudar isso e como parte da Campanha coração azul está em cartaz no Centro Cultural de Aracaju o documentário de Diego Travesso: R$1. Considerando que gente vendendo gente não é coisa boa de se ver, infelizmente o cinema estava vazio. Todos nós poderíamos estar entre as 27 milhões de pessoas traficadas: ignorar esse assunto só aumenta o risco.
Mesmo que você não conheça ninguém nessa situação, pode imaginar como seria viver esse pesadelo. Por isso, que tal ser uma mão gentil para quem precisa? Entra lá no site eusouagatha.com.br e veja como pode ser útil. Pode escrever algo encorajando esse projeto mas não é só de coragem que os guerreiros precisam Ong.projetoagatha@hotmail.com
Não encontrei o documentário de Diego no Youtube, mas esse aqui também é bastante esclarecedor:
segunda-feira, 25 de julho de 2016
Material e Imaterial Didático - uma dinâmica sobre o material oculto na escol
Ao receber um convite para mediar uma reunião de professores, eu e meu colega resolvemos refletir sobre o material didático que nós e outros educadores usamos ou poderíamos usar para potencializar a aprendizagem. Para isso, decidimos usar uma brincadeira de amigo secreto, modalidade ladrão, que virou tradição naquela escola. Para isso selecionamos diversos materiais que poderiam ser úteis aos professores e embrulhamos todos esses objetos individualmente. Cada professor teria que escolher um objeto e refletir como ele poderia ser usado para tornar as aulas instigastes. Caso ele não quisesse falar sobre o material selecionado, poderia trocar de objeto com o colega, mas cada um poderia ser "roubado" uma única vez.
Veja alguns exemplos de materiais e o potencial apontado pelos professores presentes como possibilidades para incrementar a pratica pedagógica:
CD- pode conter diferentes ritmos para motivar o envolvimento nas aulas ou fazer dinâmicas que promovem o relaxamento ou o respeito ao outro.
Fita métrica - poderia ser usada, por exemplo, durante o estudo dos números decimais, para medir a sala, e inúmeros objetos quando o objeto de estudo fosse a soma dos decimais ou os perímetros usando os decimais.
Boneco de um bicho preguiça - poderia ser útil para falar de Darwin e a evolução dos bichos: lembrar a preguiça gigante do museu nacional.
Luva do sapinho - um professor de ciências poderia usar esse material quando trabalhasse o conceito de atrito ou quando ensinasse sobre os corpos dos anfíbios, quando a lã fosse usada como exemplo de pegador para discutir objetos que são condutores de calor,. Por causa da cor, foi lembrado que o objeto também seria útil para falar sobre daltonismo ótica, a mecânica do salto do sapo...
Revistinha do Chico Bento - poderia ser usada para introduzir um tema de ecologia ou mesmo durante uma avaliação.É útil para refletir sobre a vida no campo, as invenções que parecem estranhas mas inspiram os cientistas e as narrativas que podem ser contrapostas em textos cientificos.
Martelo - poderia ser útil, por exemplo, na construção do cenário ou de inúmeros objetos nas aulas de robótica.
Pedaço de rocha - pode ser usado para possibilitar uma cuidadosa análise das características que permitisse a classificação da rocha, na ocorrência territorial, idade da Rocha
Globo terrestre- pode ser usado para simplesmente promover o encantamento dos alunos, como o objeto tinha uma luz, ele poderia ser usado como calmante ou estratégia para o silencio
Tripé - recurso para o registro e novas possibilidades de obter a imagem que se deseja fotografar.
Crânio de jacaré -poderia ser, por exemplo, um dos elementos do livro paradidatico de francês: tesouro de guerra e para trabalhar o passado
Filme- asterix - como os alunos são muito receptivos para os filmes, esse poderia promover envolvimento, ampliar a ideia de monumento e trazer para o cotidiano alguns pontos da narrativa. Os filmes também são úteis para discutir valores ou situações que permita se colocar no lugar do outro e as vezes até uma identificação, inclusive ao se ver no diferente
Regador de plantas - poderia ser usado para fazer simulação de chuva, fenômenos, disciplina interativa
Celular - várias possibilidades: fotografia, música ou fonte de pesquisa - suporte de informações
Livro didático - útil, por exemplo, em uma oficina de redação para explorar historias coletivas, uma situação problema, ou um determinado registro.
A dinâmica revelou que os materiais podem ser muito mais do que aparentam, depende de algo imaterial: a disposição e a criatividade do educador que trabalha com ele. A intencionalidade ao escolher um material pode ser ampliada em sala de aula quando os sujeitos da aprendizagem atuam e transformam esse material em algo ainda mais significativo. É importante que a escola acredite e invista na autonomia do professor para que ele amplie sua visão e ouse surpreender com o novo. Esse novo pode estar o tempo todo na escola, mas ser usado de modo criativo. Os materiais didáticos não devem ser usados simplesmente para preencher o tempo, inibir o ócio e muito menos para substituir o professor, como acontece muito com o uso dos filmes nas escolas. Materiais didáticos podem ser encarados como tecnologia social que ampliam as possibilidades da construção coletiva do conhecimento em sala de aula. Um professor estimulado curte seu trabalho e pensa sobre ele, inclusive em algumas ocasiões de seu tempo livre e enxerga nos objetos à sua volta elementos propulsores de uma aprendizagem que pode ser prazerosa para todos.
Se você é professor, convido a você que olhe a sua volta e escolha um material que tenha perspectiva pedagógica, mesmo que você nunca tenha levado ele para a sala de aula. Pense em como você poderia explorá-lo e comente aqui a sua experiência!
domingo, 29 de maio de 2016
Separação de Corpos
Ontem vi um vídeo da Viviane Mosé em que ela dizia em tom de segredo algo que eu nunca tinha parado pra pensar: a palavra em si não significa nada, o que faz sentido é o acordo que se estabelece entre as pessoas que se falam. É isso: você pode dizer a mesma coisa pra uma pessoa que te admira e para uma pessoa que não te suporta e o que você disse pra pessoa que te admira chega como um alento, uma resposta uma luz, enquanto que aquilo que você fala para uma pessoa que não te suporta chega como escracho. O que diferencia essa interpretação é o acordo pré-estabelecido.
A árdua tarefa de um advogado de família é promover esse acordo: acordo onde não existe mais a predisposição para diálogo. É muito triste pensar que não resta sequer o diálogo entre pessoas que um dia foram tão íntimas. As vezes a ponto de gerar outra vida que carrega o nariz do pai, a boca da mãe...
Eu gosto de pensar no casamento com o imaginário de uma só carne: para mim isso é absolutamente poético e revolucionário. Como pode dois seres tão diferentes se tornarem um só ser? Há casais que fazem isso com tamanha maestria que você não sabe onde começa um e onde termina o outro: não porque um subjuga ou domina o outro mas porque existe uma articulação perfeita entre as partes de um corpo que carrega duas cabeças pensantes capazes de negociar como um coração faz com suas cavidades. Os pares dessas cavidades não batem ao mesmo tempo: uma espera a outra - quando uma atua a outra relaxa e se deixa encher... Nenhuma das partes precisa dizer vai é sua vez: há um acordo ali estabelecendo a hora de trabalhar para esguichar a vida e o momento de relaxar e aproveitar o descanso.

Do mesmo modo, na rotina do dia a dia, os acordos se estabelecem: eu lavo a louça e você cozinha; hoje vou usar uma roupa íntima especial e o outro entende: serei o melhor amante do mundo! Ou quem sabe um diz não ao filho e o outro não o desautoriza, ainda que não concorde: porque há ali um acordo, uma sincronia, uma perfeita articulação engendrada. Em outra situação você foi demitido, está arrasado, mas ouve: não se esqueça que eu estou aqui para o que der e vier! E assim, esses casais fundidos em uma só carne seguem e envelhecem juntos despertando admiração e outros sentimentos menos nobres.
Mas há situações em que uma das cabeças resolve que não quer mais fazer parte daquele corpo e isso pode ser extremamente traumático pra outra cabeça. Quanto mais intensa era a união, mais dolorida é complexa é a separação. Não é pelo faqueiro, nem pelo cachorro, nem pela fazenda e nem mesmo pelos filhos que os casais separados brigam, mas pela quebra do acordo que os unia. Na tentativa de restabelecer essa capacidade de diálogo, há advogados que conseguem reatar corpos dilacerados. Há os que ao menos conseguem repaginar os vínculos: amigos? Talvez nem tanto, mas há um respeito vindo à tona. Infelizmente há também os representantes da lei que querem incrementar ainda mais os prejuízos. Para esses, quanto pior, melhor. Nesses casos, os filhos sofrem ainda mais. Ninguém se entende. Não há palavra que soe bem. E quando não há palavra, nem sintonia, nem respeito... O que sobra são restos de corpos que um dia formavam uma família.
segunda-feira, 18 de abril de 2016
Captação via Lei Rouanet para o Anjo do Amor
Estamos firmemente empenhados no projeto CD, DVD e Livro O Fabuloso Presente do Anjo do Amor. Queremos contar ao mundo essa história porque acreditamos que o afeto fortalece a auto-estima, a imunidade e as relações humanas! Uma das possibilidades de fazer esse sonho acontecer é através do incentivo fiscal. Por meio da Lei Rouanet eu e minha trupe sairemos em busca patrocínio em empresas interessadas em destinar até 4% do montante do imposto de renda para esse projeto.
Pessoas físicas que quiserem ser nossas patrocinadoras poderão direcionar até 6% de seus impostos. Após esse investimento, tanto as pessoas físicas como as jurídicas declaram a doação no imposto de renda e tem um desconto correspondente a 100% do valor . Ou seja, se você destinar mil reais para essa ação da Cantar e Contar, terá esse valor totalmente restituído. Assim, o contribuinte sabe para onde está indo parte de seus impostos e ainda conta com uma boa contrapartida que é o retorno no marketing do projeto. Esse tipo de propaganda é considerado mídia limpa porque promove a cultura sem gerar impactos ambientais.
Para enquadrar nosso projeto na Lei estamos inscritos no Novo Selic do MINC. O sistema gera um protocolo e em breve teremos o número de PRONAC. Mas se tivermos uma carta de intenção dos nossos futuros patrocinadores poderemos acelerar esse processo. Com o PRONAC na mão as pessoas e as empresas poderão emitir um recibo e as ações que viabilizarão a gravação do CD, a produção do DVD e a publicação do livro passarão a ser acompanhadas e fiscalizadas pelo Tribunal de Contas da União. Então, quer patrocinar o Anjo do Amor? Se sim, tudo o que eu preciso no momento é de uma carta de intenção de patrocínio citando o valor do seu incentivo: assim tocaremos esse barco. Será maravilhoso ter você na nossa tripulação!
sexta-feira, 15 de abril de 2016
A importância da Pesquisa em um projeto cultural
Apresentar um projeto que usará recursos públicos exige profissionalismo e compromisso com o cumprimento de todas as etapas. Antes de um evento acontecer ou de um produto chegar ao mercado, muito tempo e trabalho foi ou deveria ter sido investido para evitar desperdícios ou investimentos inadequados. Investir em um cuidadoso trabalho de pesquisa pode fazer toda diferença na elaboração de uma proposta, na aprovação dela e principalmente na hora de executá-la. A recompensa é uma clareza que dará aos envolvidos um norte a seguir e uma maior segurança no caminho escolhido.
Foi sobre isso que a aula de Márcia Santos focou na última aula na Incubadora Cultural.
A pesquisa parte de um problema que orienta a proposta. Por exemplo, existe uma lacuna no estudo de um determinado compositor? Para responder essa pergunta, nós produtores culturais temos que investigar. Nessa investigação iremos recolher uma série de informações pertinentes que norteará o projeto. O próximo passo é processar essas informações priorizando as fontes mais confiáveis. De posse das informações. Em alguns casos será necessário usar um sistema capaz de tratar as informações obtidas - por exemplo na aplicação de questionários em populações numerosas. Quanto maior a organização desse trabalho, mais tranquila será a análise dos dados.
A sensibilidade do pesquisador para perceber pequenas nuances na reação dos entrevistados pode fazer diferença na pesquisa. De grande valor para quem avalia o projeto cultural é a base teórica que ele traz. Os autores consultados e citados corretamente em um projeto cultural podem colaborar na aprovação de um projeto porque permite responder às perguntas formuladas pelo problema central da proposta, à luz de um sistema teórico.
Enfim, a pesquisa na pré-produção poderá imprimir confiabilidade na elaboração da justificativa do nosso projeto. Evidentemente nem sempre os dados obtidos na pesquisa se aplicarão ao nosso projeto, por isso é importante refletir no grau de generalização que eles carregam. Perguntar até que ponto pode-se esperar os mesmos resultados em outros locais ou noutras condições demonstra um senso crítico do trabalho.
Como exemplos de coletas de informação, Márcia Santos citou:
- Entrevistas - pode-se fazer pessoalmente, por e-mail, hangout ou outros.
- Bibliografia - em livros, artigos, sites...
- Observação
- Aplicação de questionário
- Análise documental
- Estudo de caso.
Dá trabalho? Sim. Mas quem disse que seria fácil a vida de produtor cultural?
Foi sobre isso que a aula de Márcia Santos focou na última aula na Incubadora Cultural.
A pesquisa parte de um problema que orienta a proposta. Por exemplo, existe uma lacuna no estudo de um determinado compositor? Para responder essa pergunta, nós produtores culturais temos que investigar. Nessa investigação iremos recolher uma série de informações pertinentes que norteará o projeto. O próximo passo é processar essas informações priorizando as fontes mais confiáveis. De posse das informações. Em alguns casos será necessário usar um sistema capaz de tratar as informações obtidas - por exemplo na aplicação de questionários em populações numerosas. Quanto maior a organização desse trabalho, mais tranquila será a análise dos dados.A sensibilidade do pesquisador para perceber pequenas nuances na reação dos entrevistados pode fazer diferença na pesquisa. De grande valor para quem avalia o projeto cultural é a base teórica que ele traz. Os autores consultados e citados corretamente em um projeto cultural podem colaborar na aprovação de um projeto porque permite responder às perguntas formuladas pelo problema central da proposta, à luz de um sistema teórico.
Enfim, a pesquisa na pré-produção poderá imprimir confiabilidade na elaboração da justificativa do nosso projeto. Evidentemente nem sempre os dados obtidos na pesquisa se aplicarão ao nosso projeto, por isso é importante refletir no grau de generalização que eles carregam. Perguntar até que ponto pode-se esperar os mesmos resultados em outros locais ou noutras condições demonstra um senso crítico do trabalho.
Como exemplos de coletas de informação, Márcia Santos citou:
- Entrevistas - pode-se fazer pessoalmente, por e-mail, hangout ou outros.
- Bibliografia - em livros, artigos, sites...
- Observação
- Aplicação de questionário
- Análise documental
- Estudo de caso.
Dá trabalho? Sim. Mas quem disse que seria fácil a vida de produtor cultural?
domingo, 10 de abril de 2016
Planejar é preciso
Estou fazendo um curso de produção cultural na Incubadora Cultural - uma organização que se dedica a aperfeiçoar o trabalho dos que atuam com economia criativa. Na última aula de Márcia Santos ela começou me fazendo pensar se as decisões que tomamos na Cantar e Contar são de fato estratégicas. Dedicar tempo para pensar nossas metas pode ser decisivo na qualidade do trabalho que desenvolvemos desde 2010. Compreendi que um planejamento contínuo permitirá reavaliar e aplicar as mudanças necessárias para melhorar o nosso desempenho.

Começo a semana listando as coisas a fazer, os recursos necessários e o tempo que cada ação demanda. Quantos projetos inacabados tenho no computador? Se eu investir uma hora organizando-os vou descobrir muitas coisas que podem ser úteis. Posso também organizar as cartas de anuência de meus colaboradores e tê-las nas mãos para não perder tempo quando o prazo de um edital for curto.
Confesso que organização não é meu forte embora eu reconheça que as vantagens de planejar são muitas. Minimizar os custos é uma delas, mas talvez a mais importante seja garantir um padrão elevado de trabalho. Ter as ações pensadas promove a segurança dos envolvidos e aumenta a produtividade do grupo. Planejar faz ganhar tempo - um bem tão precioso - promove uma sensação de controle inclusive na hora de delegar tarefas. Mas quero planejar em grupo para que o trabalho traduza o pensamento de cada integrante da Cantar e Contar e faça com que todos se sintam envolvidos e empoderados.
Não vejo a hora de reunir com minha equipe pra pensarmos juntos:
Onde queremos chegar?
O que fazer?
Como?
Quando?
Quanto?
Pra Quem?
Por quê?
Por quem?
Onde?
....
Depois de responder essas questões, temos um longo trabalho pela frente.
1. Diagnóstico - que situação queremos transformar?
2. Prognóstico - qual é o cenário futuro? Ele traz muitas oportunidades e/ou muitas ameaças?
3. Formulação - quais são as alternativas para promover essa transformação? Podemos escolher uma?
4. Implantação - esse é o momento para implantar as decisões tomadas.
5. Controle - vamos acompanhar criticamente o trabalho.
6. Avaliação - tudo correu como o planejado? Se não correu, o quais são as novas situações que queremos transformar? (voltei ao número 1)
Com disposição e muita vontade de seguir essa Ação Local e Cantar e Contar pelo mundo, vamos tentando driblar os gargalos, mantendo a flexibilidade para improvisar quando não for possível prever uma situação. Tão importante ou até mais do que o planejamento é a sintonia da equipe que resulta no encantamento que tanto buscamos nas apresentações que fazemos nos mais diversos ambientes, com crianças tão diferentes mas ao mesmo tempo absolutamente idênticas quando se trata do desejo de brincar e ser feliz. Se somarmos a nossa sintonia com esse planejamento estratégico ninguém segura o nosso sonho de viajar pelo mundo para contar a história "O Fabuloso Presente do Anjo do Amor"!

Começo a semana listando as coisas a fazer, os recursos necessários e o tempo que cada ação demanda. Quantos projetos inacabados tenho no computador? Se eu investir uma hora organizando-os vou descobrir muitas coisas que podem ser úteis. Posso também organizar as cartas de anuência de meus colaboradores e tê-las nas mãos para não perder tempo quando o prazo de um edital for curto.
Confesso que organização não é meu forte embora eu reconheça que as vantagens de planejar são muitas. Minimizar os custos é uma delas, mas talvez a mais importante seja garantir um padrão elevado de trabalho. Ter as ações pensadas promove a segurança dos envolvidos e aumenta a produtividade do grupo. Planejar faz ganhar tempo - um bem tão precioso - promove uma sensação de controle inclusive na hora de delegar tarefas. Mas quero planejar em grupo para que o trabalho traduza o pensamento de cada integrante da Cantar e Contar e faça com que todos se sintam envolvidos e empoderados.
Não vejo a hora de reunir com minha equipe pra pensarmos juntos:
Onde queremos chegar?
O que fazer?Como?
Quando?
Quanto?
Pra Quem?
Por quê?
Por quem?
Onde?
....
Depois de responder essas questões, temos um longo trabalho pela frente.
1. Diagnóstico - que situação queremos transformar?
2. Prognóstico - qual é o cenário futuro? Ele traz muitas oportunidades e/ou muitas ameaças?
3. Formulação - quais são as alternativas para promover essa transformação? Podemos escolher uma?
4. Implantação - esse é o momento para implantar as decisões tomadas.
5. Controle - vamos acompanhar criticamente o trabalho.
6. Avaliação - tudo correu como o planejado? Se não correu, o quais são as novas situações que queremos transformar? (voltei ao número 1)
Com disposição e muita vontade de seguir essa Ação Local e Cantar e Contar pelo mundo, vamos tentando driblar os gargalos, mantendo a flexibilidade para improvisar quando não for possível prever uma situação. Tão importante ou até mais do que o planejamento é a sintonia da equipe que resulta no encantamento que tanto buscamos nas apresentações que fazemos nos mais diversos ambientes, com crianças tão diferentes mas ao mesmo tempo absolutamente idênticas quando se trata do desejo de brincar e ser feliz. Se somarmos a nossa sintonia com esse planejamento estratégico ninguém segura o nosso sonho de viajar pelo mundo para contar a história "O Fabuloso Presente do Anjo do Amor"!
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Mães-Meninas Menestréis
A criança é transformadora por natureza! Quem teve a sorte de ser transformada por um filhote de humano sabe bem o que quero dizer. Quantas ações que mudaram o mundo foram desencadeadas após a chegada de um bebê que trouxe novos desafios, como uma síndrome, por exemplo? Até algo corriqueiro como atravessar a rua passa a ser diferente quando ganhamos a consciência de que um ser frágil depende dos nossos cuidados, sobretudo se ele foi profundamente desejado.
Isso acontece porque as crianças são generosas ao nos ensinar. Em geral elas gostam de cooperar, talvez porque saibam que atuar junto é muito mais instigante, embora os adultos insistam em colocar todas elas quietinhas: só assistindo. Quando eu e a minha equipe da Cantar e Contar compreendemos que se as crianças atuassem conosco encantaríamos muito mais, nos permitimos transformar e ganhamos identidade e potência. Hoje elas atuam o tempo todo: mas nem sempre foi assim.

Comecei como contadora de histórias em uma instituição que infelizmente não existe mais: a Fazer Arte. Minha missão era ler para aquelas três inesquecíveis turmas os livros que eu selecionava cuidadosamente para elas durante o intervalo das minhas aulas na Escola Parque. Para mim também foi um período de deliciosas descobertas porque não tive acesso à literatura infantil de qualidade durante a minha infância. Assim, me deparei com escritores e ilustradores fascinantes como Mariana Massarani, Frank Asch, Stephen Michael king e tantos outros. Um dia convidei meu vizinho, o músico e pesquisador Rogério Lopes para participar desse momento mágico. Ele alinhavou canções com as histórias que eu contava e ficou tão legal que decidimos escrever a proposta "Bichos para Cantar e Contar" no edital Prêmio Funarte de Concertos Didáticos 2010. E não é que fomos contemplados?! Nos juntamos à dois outros amigos inquietos de alma poética - a fotógrafa e arte-educadora Gabriella Massa e o ator e produtor Heder Braga e visitamos várias escolas com esse espetáculo. Foi durante esse tour que percebemos a força da interação das crianças. Aos poucos elas saíram do papel de platéia e passaram a ser protagonistas. Após cumprir o compromisso firmado no edital, tentamos, em vão, novos meios de seguir apresentando em praças e escolas públicas, passando então a concentrar nossa força em eventos e escolas particulares, reservando algumas apresentações voluntárias em locais de risco social.

Um desses territórios foi o Jardim Gramacho. A convite da Corrente pelo Bem visitei uma das áreas mais miseráveis do Rio de Janeiro. Eu pensava que já sabia o que me esperava porque estava familiarizada com o filme Lixo Extraordinário. Mas a quantidade de crianças e adolescentes grávidas introduzidas naquele cenário imprimiu em mim a sensação de ossos secos. Antes de iniciar a minha apresentação caminhei pelas casas e parei em uma delas onde uma criança de aproximadamente seis anos segurava um bebê aparentemente prematuro. Ao lado, a mãe que me lembrava a minha irmã mais nova aos treze anos sorria para mim com o mesmo olhar curioso da minha mana. Quando comecei o meu trabalho, notei que aquelas crianças não tinham o mesmo desprendimento daquelas que eu costumava encontrar nas festas e escolas dos mais favorecidos. Era como se algo amarrasse as mãozinhas delas para trás. A maioria permaneceu de cabeça baixa por um bom tempo: mas nada que o nosso Dragão encantado não conseguisse levantar. Aos poucos o grupo foi se soltando e quando vi, a maioria se permitia, inclusive as crianças bem crescidas, como os voluntários.
No final da apresentação, perguntei se havia naquele lugar alguma pessoa que costumava brincar, contar histórias ou cantar com as crianças. Eu queria entregar para essa pessoa a bolsa que um dos nossos parceiros, o Ateliê Árvore Vermelha, havia preparado como um presente simbólico que estimulasse a continuidade daquele trabalho. Nela está escrito: "Carrego comigo um punhado de faz de conta". Por mais que eu insistisse, ninguém se lembrava desse personagem. Quando mostrei a bolsinha, uma moça se prontificou com um enorme sorriso. Depois disso, eu não voltei ao local, não sei se ela faz o trabalho que se comprometeu, mas soube que as crianças perguntaram por mim quando a corrente passou por lá no mês seguinte.
Esse lugar e essas pessoas ficaram impregnados em minha mente. Tanto que agora busco meios para desenvolver um trabalho que eu espero ser transformador. Quero voltar ao Jardim Gramacho para convencer aquelas meninas-mães à atuarem como contadoras de histórias e, se possível, futuras Menestréis que visitarão outros territórios para que as meninas-mães de lá façam o mesmo que nós fizemos. Com isso, certamente os filhos delas e de outras como elas, terão a chance de conhecer brincadeiras, literatura e músicas transformadoras. Quem sabe elas se encantarão e se identificarão com a história do Roberto Carlos: um menino negro, que enquanto adolescente foi rotulado de "irrecuperável" pelos seus educadores e hoje é considerado um dos dez melhores contadores de histórias do mundo?
Afinal, como lembra Manoel de Barros: "Os andarilhos, as crianças e os passarinhos têm o dom de ser poesia."
Isso acontece porque as crianças são generosas ao nos ensinar. Em geral elas gostam de cooperar, talvez porque saibam que atuar junto é muito mais instigante, embora os adultos insistam em colocar todas elas quietinhas: só assistindo. Quando eu e a minha equipe da Cantar e Contar compreendemos que se as crianças atuassem conosco encantaríamos muito mais, nos permitimos transformar e ganhamos identidade e potência. Hoje elas atuam o tempo todo: mas nem sempre foi assim.
Comecei como contadora de histórias em uma instituição que infelizmente não existe mais: a Fazer Arte. Minha missão era ler para aquelas três inesquecíveis turmas os livros que eu selecionava cuidadosamente para elas durante o intervalo das minhas aulas na Escola Parque. Para mim também foi um período de deliciosas descobertas porque não tive acesso à literatura infantil de qualidade durante a minha infância. Assim, me deparei com escritores e ilustradores fascinantes como Mariana Massarani, Frank Asch, Stephen Michael king e tantos outros. Um dia convidei meu vizinho, o músico e pesquisador Rogério Lopes para participar desse momento mágico. Ele alinhavou canções com as histórias que eu contava e ficou tão legal que decidimos escrever a proposta "Bichos para Cantar e Contar" no edital Prêmio Funarte de Concertos Didáticos 2010. E não é que fomos contemplados?! Nos juntamos à dois outros amigos inquietos de alma poética - a fotógrafa e arte-educadora Gabriella Massa e o ator e produtor Heder Braga e visitamos várias escolas com esse espetáculo. Foi durante esse tour que percebemos a força da interação das crianças. Aos poucos elas saíram do papel de platéia e passaram a ser protagonistas. Após cumprir o compromisso firmado no edital, tentamos, em vão, novos meios de seguir apresentando em praças e escolas públicas, passando então a concentrar nossa força em eventos e escolas particulares, reservando algumas apresentações voluntárias em locais de risco social.
Um desses territórios foi o Jardim Gramacho. A convite da Corrente pelo Bem visitei uma das áreas mais miseráveis do Rio de Janeiro. Eu pensava que já sabia o que me esperava porque estava familiarizada com o filme Lixo Extraordinário. Mas a quantidade de crianças e adolescentes grávidas introduzidas naquele cenário imprimiu em mim a sensação de ossos secos. Antes de iniciar a minha apresentação caminhei pelas casas e parei em uma delas onde uma criança de aproximadamente seis anos segurava um bebê aparentemente prematuro. Ao lado, a mãe que me lembrava a minha irmã mais nova aos treze anos sorria para mim com o mesmo olhar curioso da minha mana. Quando comecei o meu trabalho, notei que aquelas crianças não tinham o mesmo desprendimento daquelas que eu costumava encontrar nas festas e escolas dos mais favorecidos. Era como se algo amarrasse as mãozinhas delas para trás. A maioria permaneceu de cabeça baixa por um bom tempo: mas nada que o nosso Dragão encantado não conseguisse levantar. Aos poucos o grupo foi se soltando e quando vi, a maioria se permitia, inclusive as crianças bem crescidas, como os voluntários.
No final da apresentação, perguntei se havia naquele lugar alguma pessoa que costumava brincar, contar histórias ou cantar com as crianças. Eu queria entregar para essa pessoa a bolsa que um dos nossos parceiros, o Ateliê Árvore Vermelha, havia preparado como um presente simbólico que estimulasse a continuidade daquele trabalho. Nela está escrito: "Carrego comigo um punhado de faz de conta". Por mais que eu insistisse, ninguém se lembrava desse personagem. Quando mostrei a bolsinha, uma moça se prontificou com um enorme sorriso. Depois disso, eu não voltei ao local, não sei se ela faz o trabalho que se comprometeu, mas soube que as crianças perguntaram por mim quando a corrente passou por lá no mês seguinte.
Esse lugar e essas pessoas ficaram impregnados em minha mente. Tanto que agora busco meios para desenvolver um trabalho que eu espero ser transformador. Quero voltar ao Jardim Gramacho para convencer aquelas meninas-mães à atuarem como contadoras de histórias e, se possível, futuras Menestréis que visitarão outros territórios para que as meninas-mães de lá façam o mesmo que nós fizemos. Com isso, certamente os filhos delas e de outras como elas, terão a chance de conhecer brincadeiras, literatura e músicas transformadoras. Quem sabe elas se encantarão e se identificarão com a história do Roberto Carlos: um menino negro, que enquanto adolescente foi rotulado de "irrecuperável" pelos seus educadores e hoje é considerado um dos dez melhores contadores de histórias do mundo? Significado de Menestrel
s.m. Na Idade Média, artista que, a serviço da corte ou autonomamente, trabalhava recitando ou cantando poemas em versos. (Fonte: dicio.com.br)
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