sexta-feira, 17 de julho de 2009

Monstros no Teatro Poeira



Na última quarta-feira recebi um honroso convite: participar do primeiro público do espetáculo Moby Dick que em breve entrará em cartaz no teatro Poeira, Botafogo, Rio. Quatro atores monstros nos envolveram com seus múltiplos personagens para narrar a intricada saga dos quatro destemidos baleeiros criada por Herman Melville e adaptada por Aderbal Freire-Filho, que também dirige a peça. No elenco estão Chico Diaz, Ísio Ghelman, André Mattos e Orã Figueiredo.

O autor da obra original é americano e foi baleeiro, por isso o texto é carregado de realismo: mas afinal, o que sabemos sobre os cetáceos? O romance da feroz cachalote branca, publicado pela primeira vez em 1851 em três volumes, se converteu em edição integral que dependendo da publicação, pode ter mais de 1600 páginas. André Mattos que é meu professor no tablado, já havia preparado a turma para não esperarmos um texto fácil. Afinal, trata-se de uma adaptação de um livro monumental que mistura ficção com não-ficção e nos convida a embarcar em temas instigantes como baleias, embarcações, ciência... transformando-os em metáforas do teatro e das relações que estabelecemos com aquilo que nos apavora, por nos parecer imenso e invencível.

Para transitar entre os diversos personagens que estão dentro e fora do baleeiro onde acontece a história, os atores usam diferentes recursos cênicos, como máscaras, roupas, instrumentos e outros adereços. Haja concentração e organização para concatenar textos, objetos, rítmo e emoções. Embora denso, o texto ganha leveza com as pitadas de ironia e comicidade: principalmente quando trata da ciência e das mazelas do ser humano. As questões propostas são atualíssimas, por exemplo quando fala das razões toscas que nos fazem deixar nossos filhos esperando no alto da colina para ver a vela que traria seu pai para casa. Também gosto da cena em que a baleia destrói o livro: que ora simboliza o meio de transporte, ora retrata o saber: eis o monstro nos lembrando que esse saber pode ser trapo e nada mais.

Enfim, Moby Dick uma peça altamente recomendável para quem não tem preguiça de viajar.

Um comentário:

paloma disse...

Concordo e assino em baixo com letras garrafais, fui ao último ensaio aberto no domingo e estou encantada, ainda assimilando todas informações, pois o espetáculo é riquíssimo em detalis (incluindo cenário, onde quase pirei, a cada minuto descubria uma coisa nova e linda que queria levar pra casa)Bom galéra é isso assim que entrar em cartaz não percam