sábado, 11 de julho de 2009

Farra de Nelson


(Clique na foto para ampliá-la.)

Por mais que eu tentasse imaginar como seria a minha estréia no palco, eu não tinha idéia da intensa sensação que experimentaria. Teatro lotado, cenas de Nelson Rodrigues, direção de André Mattos, debate com especialistas: a atmosfera não poderia ser melhor.

No caminho para o teatro, fui saboreando o texto ao lado da Zan, minha irmã. Ela que já me acompanhou em momentos especialíssimos como o nascimento de minha filha e a defesa da minha dissertação, talvez estivesse mais nervosa que eu. Mesmo assim, depois de me ouvir, deu preciosas dicas de como eu poderia melhorar minha performance.

Chegando no teatro, recebi abraços e sorrisos que deram uma força e tanto. Nosso Dedé-Guru, André Mattos, nos colocou em roda para nos dar as últimas orientações, dentre elas a mais importante: divirtam-se! No camarim, enquanto trocávamos apetrechos e maquiagens, cuidávamos para que cada personagem tivesse a alma rodrigueana, até que Duda Gentil, o ator que contracenava comigo, chegou me chamando para a última passagem de texto. O texto fluia nos fazendo acreditar que estávamos prontos para a aventura.

No escuro da coxia foi inevitável pensar coisas como "e se me der um branco?". Enquanto meus colegas faziam seus exercícios de relaxamento eu me sentia apreensiva. Mas não era uma tensão dolorida, apenas o desejo de não perder a Aurora, minha personagem querida de "Os sete gatinhos". Fugi para o banheiro e fiquei lá um tempo, repassando mentalmente o texto. Ao sair, vi uma de minhas colegas rezando fervorosamente. Ela parecia fazer um esforço enorme para se conectar e eu saí na ponta dos pés para não interromper.

Ao descer as escadas, percebi que o espetáculo já estava rolando. Corri para a cortina para ver: era tão diferente daquilo que eu via nos ensaios. Como os atores cresceram! A minha cena era a sétima e enquanto esperei para entrar, tive a mesma impressão em todas as outras cenas. Fiquei com medo de me perder com as falas dos meus colegas, mas era impossível não vê-los. O público reagia com entusiasmo e os atores em cena se contagiavam com toda aquela energia.

Finalmente chegou o nosso momento: Duda na outra coxia parecia tranquilo e me seguiu com aquele jeito malandro de Bibelô que ele representava. Enquanto esperávamos a deixa de Nelson (Bruno) e Rodrigues (Heder) que faziam o papel de mestres de cerimônia incorporando os faxineiros do teatro, eu sentia toda a tensão desaparecendo. Para a nossa surpresa, o público achou o texto muito engraçado. Me senti um jogador dentro de um estádio lotado. A cada gargalhada do público, entregamos o melhor de nossas personagens e saímos com a sensação gostosa de quem é aplaudido após longo processo de preparação. Permaneci na platéia para assistir as últimas cenas e depois voltei ao palco com meus amigos para assistir o debate com
a diretora e atriz Sura Berditchevsky, o crítico de teatro Lionel Fisher e o professor de biodança Luiz André.


4 comentários:

Maria de Fátima Fernandes Bispo disse...

Que maravilha, Silvania! Estréias são sempre tensas, mas estréias rodrigueanas transcendem a quaisquer emoções. Os textos de Nelson são sempre atuais, pois falam de questões que o tempo jamais tornaram obsoletas: conflitos da alma humana. Pessoas sensíveis como você, certamente, são afetadas por isso. Parabéns!!!

Zan disse...

Fazer parte de momentos importante da sua vida é um previlégiO!!!
E este em especial foi sensacional, ver a minha irmã brilhar em sua estreia no Teatro, vai ser mais um daqueles Momentos Inesquecíveis,e com a certeza de que muitos outros viram, obrigada!!!!

João Muniz disse...

Sua cena estava linda e limpa. Mto boa, conseguiu ir além dos ensaios. Parabéns.

Laís disse...

Parabéns Sil!!!!
Adorei o texto!! Me emocionei com sua descrição desta experiência!!
Beijo grande,
Laís.