segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Uma enfermeira amiga do peito

A experiência de ser mãe me fez compreender porque amamentar é um ato de amor.  Posso garantir que, com o tempo, o prazer é maior do que qualquer desconforto, mas no início, enfrentei uma barra. Quando saí da maternidade, o leite era produzido em excesso, mas não saia do peito que ficava cada vez mais doloridos, pesados e duros. Na primeira semana, eu e o meu marido chorávamos junto com a nossa pequena Luisa porque sabíamos o quanto ela precisava do meu leite, mas a dor era intensa e a tentação de recorrer aos produtos industriais era cada vez maior.  Naquela fase, minha pequena garotinha desenvolveu uma força enorme para sugar.

Para minha sorte, contamos com o apoio de uma profissional sensível e carinhosa - minha amiga do peito e enfermeira Regina Celia Esteves Pereira de Araujo.  Ela nos orientou e nos encaminhou a um banco de leite da maternidade  Unidade Integrada de Saúde Herculano Pinheiro. Nesta instituição fui ordenhada pela primeira vez.  Descobri que outras mulheres, ainda mais guerreiras, estavam lutando para salvar a vida de seus filhos prematuros.  Me fortaleci com as duras histórias que ouvi ali.  Aprendi que quanto maior fosse a minha coragem para me tocar, menos dolorido o meu peito ficaria.  Superado o problema das "pedras" no peito, ainda seria necessário resistir a força da sucção e a fome gigante da nossa pitita. Mesmo depois de mamar por muito tempo (as vezes horas seguidas) ela continuava chorando e batendo a cabeça - como um pequeno pica-pau - procurando o peito.

Ao completar um mês de amamentação exclusiva, percebi que o bico do meu mamilo estava se deformando e continuava extremamente dolorido. Por isso, resolvi oferecer o leite materno via chuca.  Nós já havíamos cedido à chupeta como um recurso de acalmar a nossa ferinha faminta e agora iríamos dar um passo que poderia fazê-la rejeitar de vez o peito.  Para a nossa alegria, Luisa ficou mais calma após as mamadas de reforço que eram dadas só com leite materno e apenas se o peito estivesse muito dolorido.  A primeira visita ao pediatra, Dr. Flávio Monteiro, após a introdução da mamadeira, encaramos broncas seguidas de elogios. Naquele momento, a balança falou mais alto do que o discurso pronto sobre os riscos da mamadeira: apesar de não ser natural, ela colaborou para aliviar um pouco as dores e recuperar o peso da Luisa. 

No terceiro trimestre, já bastante aliviada e usando cada vez menos a mamadeira, uma amiga me incentivou a doar parte do meu leite.  Como Luisa não dava conta de toda a produção, resolvi me inscrever no programa do banco de leite humano do Instituto Fernandes Figueira.  Poucas experiências fizeram tão bem à minha auto-estima quanto o ato de extrair do meu peito algo que poderia salvar seres ainda mais frágeis do que a minha pequena filhinha. Era estimulante para as minhas glândulas mamárias pensar nas crianças prematuras se fortalecendo com o meu leite. Além do exercício de solidariedade, aprender a extrair o leite foi importante para manter a amamentação exclusiva da Luisa mesmo ao retornar às minhas atividades após o término da licença maternidade. Nos primeiros seis meses só oferecemos leite materno e tenho certeza que  essa escolha foi decisiva para garantir um desenvolvimento saudável e tranqüilo à minha filha .  Recebemos muitas críticas de pessoas que acreditavam que a orientação da amamentação exclusiva se aplica apenas para crianças carentes.  O mesmo argumento era usado quando eu dizia que  a minha filha permaneceu mamando até os dois anos.   

Adoraria colaborar para que mais pessoas vivenciem essa experiência, que para mim, apesar de difícil, foi transformadora.  Acredito que quanto mais mães conseguirem amamentar seus filhos, melhor para a sociedade.  Afinal, teremos uma geração mais saudável, emocionalmente inclusive. Essa colaboração pode ser através do voto naqueles que trabalham pela implementação de leis que ampliam a licença maternidade ou que oferecem tratamento humanizado às gestantes e lactantes. Eu e meu marido estamos produzindo um documentário para dividir com outras pessoas as sugestões que recebemos e que nos garantiram o nosso sucesso como mamíferos. A nossa última viagem para Tiradentes nos trouxe contribuições valiosas que em breve serão divididas aqui. O documentário será uma produção independente que pode ser enriquecida com as sugestões dos leitores do blog.  Se você passou por essa experiência, escreva-nos contando os desafios que enfrentou na vida lactante e se e como ganhou resistência para seguir amamentando.

Um comentário:

Ministério da saúde disse...

Olá blogueiro,

Dê ao seu filho o que há de melhor. Amamente!

Quando uma mulher fica grávida, ela e todos que estão à sua volta devem se preparar pra oferecer o que há de melhor para o bebê: o leite materno.

O leite materno é o único alimento que o bebê precisa, até os seis meses. Só depois se deve começar a variar a alimentação.

A amamentação pode durar até os dois anos ou mais.



Caso se interesse na divulgação de materiais e informações sobre esse tema, entre em contato com comunicacao@saude.gov.br

Obrigado pela colaboração!

Ministério da Saúde