terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Fé também se aprende

Não sou uma pessoa religiosa e nem frequento uma igreja, mas felizmente me ensinaram, desde criança, a enxergar com os olhos da fé. Ter fé é ver o que não existe, com os óculos da esperança. Esses óculos me são úteis principalmente quando é difícil seguir em frente. Uso-os sempre que faltam disposição e coragem.

Minha mãe, na sua simplicidade sábia, não se cansa de repetir no meu ouvido: coloque a sua fé em ação! Isso ficou impregnado em mim. Por isso, todas as vezes que passo por situações difíceis, sou tomada por um desejo de agir para buscar alguma alternativa e superar as crises. 

Hoje tenho consciência de o quanto a Fé me encoraja e por isso, quero que as minhas filhas aprendam a ter esperança. Assim, converso com elas e leio histórias que trazem exemplos de superação. Uma das histórias que ouvi na infância é a da mulher que virou uma estátua de sal. Só agora me dei conta de como essa figura é emblemática: quando ao invés de seguir em frente fico remoendo o passado me sinto tão intragável como aquela comida saturada de sal. 

Seguir adiante pode representar deixar algo muito caro para trás. Por isso, a tentação de focar nas perdas é tão grande. O desafio é acreditar que, se seguirmos lutando, no futuro teremos novas conquistas. Eu creio e você?


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Vamos ficar Vitaminados?

Hoje eu estou de cama: um resfriadaço me derrubou! Então comecei a pensar sobre os tipos de alimentos que incrementariam minha disposição e fizessem meu corpo trabalhar melhor. Pesquisando a história da descoberta das vitaminas, aprendi que quando os cientistas investigavam o que havia na casca de arroz que conseguia prevenir uma doença que na época matava - a beriberi - descobriram ali a existência de uma substância vital - a tiamina (hoje chamada de B6).

Mesmo sabendo que as vitaminas são fatores de extrema importância - elas atuam em parceria com as enzimas para promover o metabolismo celular - vivo me descuidando da alimentação. Sei e ensino que as enzimas são proteínas especiais que aceleram as reações químicas que acontecem nas células, mas na prática... Em resposta à negligência alimentar - a escassez ou ausência de uma vitamina e em alguns casos, o excesso de tais substâncias - as reações químicas ficam comprometidas e as doenças começam a pintar.

As vitaminas podem ser quimicamente bem variadas, mas  podemos pensar em dois grupos: o das hidrossolúveis - as vitaminas P, C e as do complexo B; e o das lipossoluveis - A, D, E e K: armazenadas na gordura dos animais. As hidrossolúveis devem ser ingeridas diariamente porque entram e são eliminadas do corpo com mais facilidade através da urina. Por isso, se ingerirmos essas vitaminas em excesso não haverá grandes comprometimentos: logo as B e Cs virarão xixi!  Mas no caso de hipervitaminose com as lipossolúveis há risco de intoxicação, porque elas ficam guardadas no fígado por muito mais tempo. Assim, podemos concluir que com relação às hidrossolúveis estamos mais sujeitos à hipovitaminose e com relação às lipossolúveis, estamos mais sujeitos à hipervitaminoses.

Não é fácil manter uma alimentação saudável. Mas assim como se tivermos uma Mercedes na garagem vamos nos preocupar em dar o melhor para ela, não dá para tratar a nossa máquina de qualquer modo. Até porque, nenhum Mercedes se compara! Por isso, porque não conhecer um pouco mais os produtos que consumimos?

A vitamina A - depositadas em alimentos como cenoura, leite e fígado - previne alterações cutâneas e problemas na visão como a cegueira noturna.

A vitamina D, calciferol, previne o raquitismo. As fontes estão no leite, no banho de sol e no óleo de fígado de bacalhau (erggh).

... Talvez você ache mais fácil usar essa imagem:


sábado, 27 de outubro de 2012

Escolas municipais do Rio de Janeiro em Ritmo de Funk

"Toda educação é educação do corpo. A ausência de uma atividade corporal também é educação: a educação para o não-movimento - educação para a repressão. Em ambas situações, a educação do corpo está acontecendo. O que diferencia uma atitude da outra é o tipo de indivíduo que estaremos formando".

                                                                                                                       Strazzacappa



Essa semana participei de um evento bacanérrimo produzido para capacitar educadores que  atuam no projeto Bairro educador.  A proposta, coordenada por Marcia Florencio, é voltada para escolas municipais do Rio, e visa usar o funk para promover o letramento.

Aprendi com o músico Carlos Carvalho e colaboradores, que a origem do funk pode estar na música gospel!  Após a fase de lamentos que marcou o fim da escravidão, e que originou o Blues, a música negra americana partiu para um novo estagio, o de adoração, onde a dança passou a ter mais movimento. Nos anos 70, James Brown encabeçou o que hoje chamamos de funk, explorando o atrito do corpo e sedução.


Até por estar carregadas de sensualidade, as  letras, que muitas vezes apresentam uma linguagem de protesto, nem sempre são bem vistas pelos gestores e professores das escolas. Por isso, a proposta de apropriação do funk para promover o letramento nem sempre recebe que o projeto precisa para transformar a escola em uma pista de dança e idéias.

"Aqueles que criticam, muitas vezes consomem músicas estrangeiras carregadas com o mesmo conteúdo dos funks,  como se o que vem de fora fosse necessariamente mais culto, enquanto que a cultura local não prestasse", lamenta os profissionais que atuam no projeto.

Mas não é apenas o funk que assusta: alguns educadores não se sentem confortáveis para trabalhar com música por não terem formação especifica. Por isso, o projeto estimula os educadores a partirem da musicalidade dos alunos: ao se apropriar da linguagem do funk,  o educador consegue aguçar o olhar para valorizar ainda mais a cultura local de sua escola. 


Ao abrir espaço para que os alunos se expressem através da dança e das letras de canções, a equipe do Bairro Educador desenvolveu projetos como os que culminaram no Funk do bulling, da higiene, da dengue... Ao mesmo tempo, encontraram espaço para  promover discussões que problematizaram algumas letras de funks como o "As novinhas de 14" que estimula a pedofilia.

O encontro trouxe o percussionista Roque Miguel que apresentou desafios com o método do passo e o rapper Vinícius Rodrigues que encorajou os educadores a usar a rima em suas produções. Para ele, rima é poesia e sentimento. Tudo a ver com a educação para o corpo que forma sujeitos preparados para expressar  livremente seus sentimentos, ideias e conhecimentos.





quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Detalhes tão pequenos: das plantas

Acredito que seja papel do educador desenvolver a habilidade do olhar inteligente: aquele que busca a capturar pequenos detalhes que muitas vezes nos passam despercebidos. Entreguei uma lupa e propus aos meus alunos do sétimo ano uma observação cuidadosa dos vegetais que temos na escola e a expressão dos detalhes observados, através de desenhos coloridos. O resultado é um trabalho de rara beleza:


Na sociedade frenética em que vivemos, propor ao adolescente que ele tenha um tempo para a contemplação, é uma ousadia. É bom poder ousar!

domingo, 30 de setembro de 2012

TDAH ou carência de atenção?

No último sábado, o médico José Outeiral  foi o convidado da XXI Jornada Pedagógica EscolasRio. Esse texto é uma tentativa de partilhar as lições que ele ensinou a mim e aos educadores presentes, com muita leveza e bom humor.

Para Outeiral, o professor tem lidado com uma enorme complexidade de conhecimentos,  entrelaçada em muitas áreas do saber e por isso ele não pode se acomodar.

"Quem observa um cubo enquanto está sentado, só enxerga três lados desse cubo. Um aluno é bem mais complexo que um cubo, por isso, ao se restringir na própria disciplina, o educador limita a visão  dos diferentes ângulos onde ele poderia atuar".

Como a escola vai cumprir a tarefa de promover a saúde e prevenir doenças  se essa instituição está inserida em uma sociedade que expõe a vida da criança  à extrema violência? Atualmente, as maiores causas de morte infantil são: acidente, suicídio e homicídio - sendo que em São Paulo, homicídio é a primeira causa de morte entre 5 e 15 anos!

Outeiral destacou que NÃO é tarefa da escola usurpar a família,  por outro lado, em algumas situações caberá ao educador assumir a função que em outras épocas eram apenas materna e paterna. Cabe aos profissionais de ensino acolher, cuidar e estabelecer limites. Mas à custa de garantir o emprego, alguns optam pela permissividade:

"A instituição onde o aluno tem sempre razão é um desastre: o limite é fundamental para que os sujeitos exerçam o papel funcional. O corte é estruturante!"


Nas salas, cresce o número de alunos agitados, com dificuldade de aceitar o limite, diagnosticados como Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Muitos apenas manifestam seu esforço para  cativar o olhar do adulto para eles. Uma espécie de reação de vitalidade para tentar estimular os pais e educadores aplastados. O uso de medicamentos consegue domar a maioria dessas crianças, mas a organização da atenção poderia se dar simplesmente através da sustentação do olhar: da mãe, do pai, do educador... Por isso, em casa e sala de aula: olho no olho!

" É como aquele brinquedo do burrico desmantelado - a atenção é o elástico! Antes de medicar é preciso investigar se a alteração do comportamento é sinal de dor emocional." 

Outeiral é autor do livro Adolescer e usou parte do seu tempo para discutir a adolescência -período que pode estar situado entre os 12 e 18 anos. Ele explicou que esse  período, passou a ter seus direitos e necessidades considerados entre as duas grandes guerras e que sempre foi um desafio para o educador.


"A adolescência desinventa a infância. Lutar pela preservação  da infância é papel da escola. 
O erotismo precoce submete a criança à estímulos, muitos dos quais elas não estão prontas. Por exemplo, entre em um chat às 16 h e observe se esse ambiente é adequado para as nossas crianças. Elas não podem ficar sozinhas em frente ao computador porque não estão prontas".

Para defender a criança e o adolescente Outeiral recomenda um santo remédio: o brincar. 


"A palavra Brincar vem do latim e significa vínculo. O vínculo conforta e protege contra a violência.  Brincar é um convite para a criatividade e a espontaneidade".

Toda criança nasce com um enorme potencial de brincar e o adulto, ao invés de explorar esse potencial, costuma estabelecer uma rotina onde não haverá tempo para brincadeiras. Mas além de brincar junto, Outeiral recomenda desenhar com a criança. Medidas simples que podem prevenir a carência de atenção que tanto tem enriquecido os laboratórios farmacêuticos. A técnica do rabisco, onde o adulto e a criança desenham juntos é uma opção. Para os pais e professores que acham que não são capazes de desenhar:


"A maioria de nós fomos submetidos à um histórico de apreciações negativas que nos fizeram crer que não somos capazes de desenhar, mas nós podemos!"



No apagar das faixas etárias, se estabelece uma crise de identidade onde além da infância perdida, a adolescência invade o mundo do adulto: espécie em extinção. Outeiral se refere aos adultescente
como um grande número de adultos que não são capazes de abandonar a adolescência: nem no pensamento, nem na estética. Muitos se vestem, falam, pensam e agem como crianças.
Outro desafio que os educadores enfrentam na sua prática é o consumismo. A cultura do descartável, onde o produto é feito para durar pouco, é transferida para as relações. Há uma falência do reconhecimento de que o outro tem algo que possa valer a pena. É um processo de des-subjetização, onde as pessoas/coisas podem ser descartadas! Para prevenir o seu descarte, o educador pode optar pelo autoritarismo e estabelecer uma rotina onde a negligência e a violência se estabelecem.

Nessa escola, onde os valores foram substituídos: o ter vale mais que o ser, desvaloriza-se o tempo, inclusive o tempo interno - subjetivo. A despeito do investimento no tecnológico, essa instituição nem sempre consegue sobrepor à cultura da banalização. Assim como, no nosso cérebro a repetição contínua deixa de ser registrada, nas aulas  repetitivas, o aluno não retém a informação e nem se interessa por ela.

Nessa sociedade da nova erótica, onde a relação entre as pessoas é cada vez mais rápida, fugaz e descartável, cabe a escola construir relações e uma história! Assim, os pais também devem estar matriculados na escola, no sentido de sustentar o sonho, a utopia e o desejo. A fraternidade se aprende, a utopia também.


Enquanto eu ouvia esse psiquiatra falando, me perguntei: quantas crianças que tomam drogas como ritalina, concerta... de fato precisam ser medicadas? Esse médico nos deu a palavra de que não recebe representantes de laboratórios e nem permite que lhe prestem favores como custear congressos ou outras regalias. Infelizmente parece que a regra são profissionais de saúde que banalizam o uso desses medicamentos - a troco de que? Quantas vezes a escola - nós educadores inclusive - estimula essa medicação exacerbada, ao encaminhar os "desajustados" para um diagnóstico, quase como condição para a permanência do aluno na escola? Como será o futuro dessas crianças sossegadas quimicamente? E os jovens que estão usando Metilfenidato para dar conta da pressão do vestibular?

Também me perguntei: o que eu, como educadora, posso fazer para construir uma história que valerá a pena ser lembrada e para dar a atenção que os meus alunos merecem? 

domingo, 23 de setembro de 2012

As mil folhas do seu amor


Em uma cena da nova novela das 6 o padre escutava a noiva dizendo que não amava o futuro marido e, pouco depois, o noivo dizendo que também não amava a futura esposa. Temendo que o casal desistisse da cermimônia e que sua igreja ficasse desmoralizada, o padre manteve o silêncio. Fiquei pensando o que aconteceria se os padres, pastores e afins, no momento da cerimônia, aconselhassem os noivos a não se casarem se não tivessem certeza do amor que sentem um pelo outro. Quantos casamentos seriam desfeitos ali mesmo, no altar? Talvez por ser inerente à condição humana duvidar, repensar o sentimento de acordo com o estado de espírito - seu e do outro - ou das circunstâncias.

Essa falta de coragem de se posicionar - de quem celebra e de quem se casa - pode explicar a incidência dos divórcios. Sem falar dos casamentos que acabam sem que as pessoas se separem de fato. É tão comum duas pessoas permanecem juntas por teimosia, comodidade e/ou necessidade. Entre esses casais há os que parecem ter nascido um para o outro mas por serem incapazes de ceder, não chegam a um acordo e estão em um moto-contínuo de discussões.

O casal da novela das seis tem se descoberto e se encantado aos poucos.  A convivência dos dois tem sido como aquele doce mil folhas, onde o enredo vai incluindo aqui e ali,  uma camada de respeito, outra de admiração, ternura, cumplicidade, desejo... E assim, o amor dos protagonistas vai sendo edificado.

Para além da ficção, acredito que os casamentos reais dependem dessa construção, que demanda paciência, vontade e muita disposição. Não há amor que sobreviva à rotina e ao tratamento truculento. Basta prestar atenção no que você costuma fazer quando chega em casa: se antes de dar atenção ao seu amor, você canaliza o foco nos filhos, no trabalho que você levou para casa, nos problemas domésticos ou no mundo virtual - facebook... talvez a construção do seu relacionamento esteja em risco de desmoronar. E você não vai fazer nada?

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Aves em Foco

Não tenho muitos amigos, mas me orgulho de todos eles! Alguns são verdadeiros super profissionais. Em várias ocasiões, consegui levá-los para incrementar as aulas de Ciências e Biologia nas minhas turmas. Esse ano, por exemplo, contarei com a presença do meu amigo fotógrafo João Quental para um trabalho de campo onde os alunos do sétimo ano experimentarão a prática da fotografia de aves. Para essa empreitada, João preparou algumas dicas preciosas. Eu não resisti e pincei algumas fotos incríveis no site dele para acompanhar essas pérolas, confira:


Fotografia de Aves – Dicas Importantes:

1) Cuidado com movimentos muito bruscos e com o barulho. Boas fotos de aves acontecem quando se chega silenciosa e lentamente perto delas, sem assustá-las.

2) Não se aproxime muito de ninhos, isso pode prejudicar os filhotes ou ovos.

3) Tire muitas fotos, não economize a memória da sua máquina.

4) Em caso de dúvidas sobre como regular sua máquina, deixe-a no automático. E experimente ligar o flash (isso, às vezes, pode ajudar bastante a “congelar” a imagem).

5) Procure utilizar uma velocidade bem alta para “congelar” a imagem do pássaro. O ideal é de 1/250 em diante. No caso de máquinas compactas, com regulagem não-numérica, utilizar o modo “esporte”.

6) Use o aumento máximo da lente da sua máquina, para aproximar a ave.

7) Prenda a respiração na hora de fotografar. Mantenha os braços colados ao corpo, isso dá mais firmeza na hora do foto, o que melhora muito a qualidade do resultado.

8) Caso você saiba regular isso na sua máquina, utilize ISO’s mais altas. 400 é um bom número, em algumas ocasiões será necessário usar 800, para garantir a velocidade necessária. Ou maior do que isso, o que permite não usar o flash.

9) Utilize o pré-foco: significa focar o ponto (um galho, por exemplo) onde a ave pode pousar.

10) Paciência. E paciência. E um pouco mais de paciência.

11) Cuidado com o “shutter lag” (ou seja, o “tempo de disparo”). Não mova a câmera imediatamente após apertar o botão de disparo.

12) Não espere estar a uma distância “ideal” para fazer a foto. Faça primeiro uma foto a longa distância, para garantir o registro.

13) Analise o fundo diante do qual a ave está. Procure regiões escuras, caso a ave seja clara, e vice-versa. Isso ajuda a destacar a ave, tornando a imagem mais impactante.

14) Evite, a qualquer custo, estressar as aves. Perca a foto, mas não invada de modo violento o espaço da ave.

15) Procure fruteiras onde as aves se alimentam. Descubra onde há comedouros, pois é nesses locais que você conseguirá as fotos mais próximas.