sexta-feira, 18 de maio de 2012

O sub lugar da arte

Qual é o papel do artista na nossa sociedade? Hoje assisti uma entrevista com Daniela Biancardi que comentava como a arte tem sido subestimada e o papel do artista também. Fiquei pensando em como a escola insiste em desprezar esse recurso: já pensou se nós professores ensinássemos língua portuguesa, matemática, geografia, ciência e história... através das artes? Já imaginou se o palhaço que cumpre importante função terapêutica  ao visitar hospitais ou países onde as crianças sofrem com epidemias, tivesse o mesmo status de um médico?



E se um contador de histórias tivesse amplo espaço na mídia, substituindo pelo menos em parte os lixos da programação que a TV brasileira exibe? E se as escolas investissem em atrações musicais, como investe em material de consumo?

Termino com uma questão levantada por Pedro Bandeira:

“O Brasil talvez seja o único país do mundo em que, se o livro não for recomendado por um professor, o papai, a mamãe ou o padrinho, não o compram para suas crianças. Ainda temos uma cultura ruim, em que pais não hesitam em comprar um tênis de grife para o seu filho, de R$ 1 mil, mas chiam quando o professor manda comprar um livro de R$ 20,00. "Eles dizem que não gostam de gastar dinheiro com besteira. Os pais de classe média ainda acham mais importante investir no pé do que na cabeça do filho”. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Amigo Grátis


Você já pensou em ter um bicho para chamar de seu, sem ter que desembolsar um centavo para adquirí-lo?

Se você procura um animal de estimação, dê só uma olhadinha nesse site:

www.amigonaosecompra.com.br.

Trata-se de um espaço pras ONGs e protetores divulgarem animais pra adoção. O objetivo é ajudar os milhares de cães e gatos do Brasil que esperam por um lar.

São diversas opções de cachorros e gatos: agora você não precisa mais comprar um amigo!

Mas, se o que você precisa é divulgar algum bicho que precisa de novos donos, é só se cadastrar. O site vale pra bichos de todo o Brasil, então espalhem pra todo mundo!

Vejam essas matérias:
http://extra.globo.com/noticias/brasil/site-pretende-mudar-forma-como-as-pessoas-procuram-animais-de-estimacao-4782995.html
http://blog.sweetchilli.com.br/amigo-nao-se-compra/
E o link do site: www.amigonaosecompra.com.br

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A aprendizagem é coletiva

Ao me deparar com essa foto, no face da Miraflores, fiquei pensando no potencial de aprendizagem da espécie humana.

 Aprender é uma ação contínua e começa antes mesmo do nascimento e segue até onde ainda a ciência não é capaz de provar. Mas construir um conhecimento exige esforço e reciprocidade entre aprendiz e educador.

Uma criança super esperta costuma ser simplesmente aquela cuja inteligência não foi subestimada ou a que recebeu estímulos, carinho e atenção. Assim, o mérito ou o demérito da evolução de uma criança é também de seus educadores como pais, avós, babás e professores. O indivíduo se torna notável porque o conhecimento, que começou a ser adquirido na infância, não foi apenas acumulado ao longo do tempo, mas reprocessado, remodelado e reinventado.

Ao criar algo novo ou surpreendente, ao apresentar novos significados para os ensinamentos que recebeu, ao transformar o banal em algo relevante ou que possa ser aplicado para facilitar a vida das pessoas, esses mestres imprimem saber. Essa influência poderá ser transmitida geração após geração.


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Cantar e Contar no Face

Nos últimos dias tenho aproveitado o pouco tempo que sobra da deliciosa tarefa de lamber a minha cria, alimentado a página da minha produtora: www.facebook.com/CantarEContar.

É a oportunidade para expor em detalhes o trabalho que a nossa equipe desenvolve com tanto carinho em festas de aniversário descoladíssimas e nas melhores escolas do Rio de Janeiro. Temos atuado principalmente no Ensino Infantil, levando música e literatura para as crianças. Visite, curta, contrate, comente e divulgue a


afinal, "Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar!""

Roberto Carlos e Erasmo Carlos

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Iniciativas & Acabativas



"A nossa indignação é uma mosca sem asas, não ultrapassa as janelas de nossas casas."


Samuel Rosa/chico Amaral

Hoje fiquei pensando naquelas pessoas que dão asas à indignação. Gente como a mulher que aparece no vídeo abaixo e que, depois de assistir inúmeros acidentes, inventou um modo seguro para limpar janelas.





Ou como o grupo de amigos que montou um site para que as pessoas tivessem a chance de adotar um animal que sofreu abandono, ao mesmo tempo em que previne novos abandonos. Tem também as pessoas que desenvolveram o hábito de patrocinar boas ideias, fazendo acontecer projetos legais que poderiam acabar na gaveta. E o que dizer da iniciativa da Novo Ciclo que premia as pessoas que separam o lixo para a reciclagem?

Atitudes como essas são inspiradoras e nos fazem pensar: porque ninguém pensou nisso antes? Talvez outras tenham pensado, mas faltou iniciativa e "acabativa". O vídeo abaixo é uma lição dessas duas premissas:



Caso você pense: "porque essas coisas não acontecem perto da minha casa?", sugiro que faça acontecer. Iniciativas que mudam o mundo podem e devem ser pulverizadas.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Aos mestres de estudantes com síndrome de Donw

As escolas podem e devem acolher estudantes com síndromes de Down. Para combater o preconceito, os educadores podem contar com materiais como esse:


É claro que a inclusão não é uma tarefa fácil: nesse relato quero encorajar meus colegas de trabalho que estão encarando esse desafio. Na turma da minha filha  há uma criança com a síndrome de Donw: o Rafa. Levou um tempo para nos adaptarmos, como deve acontecer quando ganhamos um filho assim. Já publiquei aqui no blog um relato lindo da mãe do Rafa contando como foi a chegada do Rafa na vida dela. Mas não tenho palavras para dizer o presente que foi conhecer essa criança e os pais dela, o biólogo Carlos Figueiredo e a arquiteta Carla Codeço. Aprendo com eles sempre e compreendo que a luta que eles travam em favor da inclusão é para que as crianças que não possuem a síndrome tenham a chance de conviver, sem medos ou reservas com aquelas que possuem. Se um dia minha filha tiver uma criança com Donw, é possível que ela não sofra tanto como a mãe do Rafa ao receber a noticia. 

No tempo da Carla, como no meu e talvez no tempo da maioria dos meus leitores, essas crianças ficavam fechadas em instituições especiais e só costumavam aparecer em programas sensacionalistas que nos faziam chorar de pena e rezar para nunca ter um filho assim. Me lembro que quando eu ouvia algum pai dizendo que o filho com Donw foi um presente, eu pensava: ou ele quer se consolar ou esta maluco! 

Hoje eu tenho a exata dimensão do que é isso, porque o Rafa é uma dádiva! Tenho certeza de que ele será um grande homem: dentre outras coisas pela linda família que tem, pelo carinho que recebe e oferece e, também, pela excelência da equipe pedagógica que não só o acolheu, mas segue pesquisando e estimulando para que ele desenvolva todo potencial que tem. Se um dia houve alguma preocupação com o conteúdo pedagógico, hoje há um reconhecimento dos pais da turma que é possível garantir aprendizagem de qualidade, sem abrir mão da vivência com a diversidade. Por isso desejo força para os educadores que assumirem essa tarefa e melhores condições de trabalho para que possam aproveitar as delicias dessa convivência. Também desejo que os pais sejam parceiros da escola, que confiem nos educadores de seus filhos e que estejam abertos para conviver e aprender com as famílias dos estudantes com síndrome de Donw. Na natureza, diversidade é sinônimo de riqueza. Na escola também!

sexta-feira, 9 de março de 2012

Parceiros da Maternidade

No mês em que comemoramos o dia da mulher e que tanto se fala sobre a "nova" mulher e suas conquistas, proponho pensar a mulher-mãe contemporânea:

Uma criança que nasce não pertence apenas à mãe. Ela também será filha do pai, além de um novo membro da família, um novo aluno para a escola, um morador que chega no bairro, um futuro cidadão que irá elegar os governantes... Mas nem sempre nos damos conta de como outras pessoas, além da mãe, podem ser decisivas na qualidade de vida dessa criança. O segredo da formação de pessoas de bem pode estar nas parcerias que se estabelecem com membros da família, vizinhos, empregados, patrões...

Pesquisas sugerem que a criança que é bem cuidada durante o  seu período primal, que começa na concepção e segue até o segundo ano de vida,  desenvolve melhor a capacidade de amar. Assim,  os comportamentos de risco podem ser evitados com gestos que não chegam a custar muito, mas são de extremo valor. Uma vez o meu marido me filmou chegando em casa e amamentando a nossa filha que na época tinha um pouco mais de um ano. Esse vídeo é lindo e foi feito porque eu queria fazer um documentário sobre aleitamento materno. Mas hoje percebo que a pessoa mais importante não aparece na filmagem. A cada vez que eu ia amamentar, Martinha, que na época trabalhava comigo, preparava cuidadosamente uma bandeja com frutas, água, bombinha para retirar o leite e o pote onde eu colocava esse leite que depois seria congelado para que eu pudesse trabalhar ou para doar ao Instituto Fernandes Figueira. Com esse cuidado, Martinha foi uma das responsáveis por eu ter conseguido amamentar minha filha até os dois anos de idade. Ela tomou para si a responsabilidade de colaborar para que eu repusesse o líquido, os sais minerais e as vitaminas que eu perdia enquanto alimentava o meu bebê. Esse valioso gesto também foi responsável por boa parte da energia que eu precisava para continuar estudando e trabalhando. Quantas mulheres podem contar com isso? Mesmo para aquelas que podem ter empregadas, nem sempre essas pessoas terão a sensibilidade que Martinha teve. Claro que ela não foi a única que me ajudou. Contei também com um marido participativo que levantava todas as noites para pegar nossa filha e trazer para eu amamentar, esperava até que estivesse na hora de arrotar,  segurava carinhosamente até que ela arrotasse e devolvia para o berço: sem reclamar! Quantas mulheres podem contar com um parceiro assim?


No passado, era muito comum que uma vizinha fosse lavar a roupa ou cuidar das crianças de alguém que estivesse de resguardo, ou quando se sabia que um casal estava com problemas financeiros, os amigos se uniam para garantir que não faltasse nada ao bebê. Era comum também evitar que a mulher sofresse preocupações ou recebesse notícias ruins no período em que estivesse amamentando. Os tempos mudaram e parece que os cuidados destinados à mãe não são mais os mesmos. Há quem questione inclusive a licença maternidade! Talvez essas mudanças e essa falta de sensibilidade explique os comportamentos de risco que nos assustam a cada vez que ligamos a TV.  Se a história de vida desses "monstros" pudesse ser mudada, as pessoas que conviviam com a mãe deles, desde grávida, teriam que ter uma atitude menos omissa.