Na adolescência, eu amava os livros de mistérios e um dos meus passeios favoritos era dar uma passadinha na biblioteca pública de Caratinga para procurar por Agatha Christie e Sherlock Holmes.

Alguns livros exerceram uma força transformadora: eu estava vivendo um momento de muita rebeldia na minha adolescência quando li "Feliz Ano Velho" de Marcelo Rubens Paiva. Me lembro de ler esse livro no ônibus, enquanto ia para a escola e ficar pensando em como fazer para que as pessoas vissem a capa, lessem o título e se interessassem por aquela história tão fascinante.
Outra leitura inesquecível foi "A Insustentável Leveza do Ser " de Milan Kundera. No final da história eu fazia um esforço enorme para reduzir o ritmo da leitura, porque eu simplesmente não queria que aquela história terminasse.
Descobrir Clarice Lispector foi outra dádiva: de cara me identifiquei às avessas com a datilógrafa Macabéa de "A Hora da Estrela". O meu modo de ver o universo feminino foi chacoalhado com essa história: definitivamente eu não queria ser essa mulher que "aceita tudo porque já beijou a parede". Aliás, a leitura que estou fazendo no momento é "Perto do Coração Selvagem", também da Clarice. Embora o meu momento de leitura e o momento de escrita de Clarice sejam tão diferentes daquele da história da Macabéa, estou me deixando ser arrastada pelo caos da "realidade adivinhada" da protagonista.Hoje minha casa é recheada de livros e, para minha alegria, minha filha me pede uma história todos os dias, antes de dormir! Ela preenche uma lacuna que me fazia muito mais falta do que eu podia imaginar: a da literatura infantil. Com ela descubro pérolas. Espero que no futuro ela também goste das pérolas que eu encontrei no universo da literatura.
Esse espetáculo estimula a leitura:http://www.wix.com/silbio/cantar-e-contar?ref=nf
